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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

"Para compreender o Natal, é preciso ter o coração dos santos"

 

Para compreender o mistério do Natal é preciso ter o coração dos santos. Eles não ficavam na superficialidade do Natal, mas penetravam no íntimo do mistério. "A encarnação - escrevia uma destas almas - realiza em nós duas coisas: a primeira é que nos enche de amor; a segunda, nos dá a certeza da nossa salvação. A caridade que ninguém pode compreender! O amor além do qual não existe amor maior: o meu Deus se fez carne para me fazer Deus! O abismo do teu fazer-te homem arranca dos meus lábios palavras tão desentranhadas. Quando tu, Jesus, me fazes compreender que nasceste por mim, como é glorificante para mim compreender um tal fato!" (B. Angela de Foligno, Il Libro, Quaracchi 1985, p.7122 s.). 

Durante as festividades do Natal, nas quais acontece a sua passagem deste mundo, esta insuperável escrutadora dos abismos de Deus, uma vez mais voltando-se aos filhos espirituais que a circundavam, exclamou: O Verbo se fez carne!" E depois de uma longa hora na qual permanecera absorta neste pensamento, quase voltando de muito longe, acrescentou: "Nenhuma criatura consegue. Toda inteligência dos anjos não basta!" E aos presentes que lhe perguntavam o que nenhuma criatura consegue e para que coisa a inteligência dos anjos não basta, respondeu: "Para compreender!" (ib. p. 726).

Pe Raniero Cantalamessa. O Mistério do Natal. Aparecida SP: Editora Santuário, 1993. p. 41-42.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sobre Moral, Liberdade, Egoísmo e Tristeza


"Para saborear tudo, não queiras ter gosto em coisa alguma" 
São João da Cruz

O ser humano é um ser que intelige e decide, mas não necessariamente nessa ordem, já que o objeto de intelecção já é submetido a um prévio ato de deliberação. Não apenas faço o que entendi dever fazer, mas escolho aquilo no que vou pensar. Porém, é verdade que este prévio ato deliberativo se relaciona muito mais com o desejo - uma espécie de instinto imediato - do que com a vontade. Temos então a seguinte ordem: desejo - inteligência - vontade. É possível e comum que desejo e vontade discordem. Neste caso, a vontade age como sucessora corretiva do desejo. Como este é prévio à inteligência, ele tende a ser amoral, pois agir moralmente é agir segundo regras ou motivos; é saber por que agir assim é correto ou errado. A vida moral - a não ser quando já se tem o hábito - não pode ser fruto de qualquer inspiracionismo, como se nós tendêssemos naturalmente à vida correta. Qualquer mínimo exame da nossa realidade psíquica dá conta de ver que isso não é assim. Tendemos ao mal, e não é raro que mesmo aquela ação que julgamos naturalmente boa encubra intenções e desejos que não o são.

Na vida moral, há que se distinguir, portanto, estas duas coisas: a ação objetiva e a intenção ou finalidade que se pretende alcançar com a ação. Isoladas, elas não são suficientes ainda para constituir a ação moral. Mas se pode dizer que a intenção isolada tende a ser mais desculpável para o sujeito do que a ação isolada. Claro que há nisso controvérsias. Se um dado ato irrefletido, mas munido de boas intenções, só foi executado assim na ignorância de sua efetividade real devido a alguma negligência anterior do sujeito, ele já não se torna tão desculpável assim porque o conjunto da negligência anterior contamina a intenção atual do sujeito. Por trás de sua intuição de sinceridade pessoal há de se esconder qualquer senso de vigarice, pois o desconhecimento da objetividade da situação é fruto de um vício prévio.

Quanto às ações, tomadas isoladamente, é sabido que quaisquer delas podem ser inspiradas por um sem fim de motivos internos. Uma pessoa pode dar esmolas porque quer alimentar o esfomeado, ou porque quer cultivar a imagem de honesto para os outros, ou porque quer cultivá-la para si, ou porque quer impressionar alguém, ou porque quer impressionar Deus, ou porque quer ir para o Céu, ou porque não quer ir para o Inferno, ou porque quer que o pedinte o deixe em paz, ou porque se recordou de alguma situação anterior que o empurra para essa ação, ou porque simpatizou com aquele pedinte em particular, ou porque se sentiu momentaneamente comovido e aí obedece a si mesmo nesse ímpeto atual e totalmente instintivo de dar, etc. Do ponto de vista exterior, temos somente a ação. É por isso que o julgamento das intenções só é reservado a Deus, pois uma ação nem sempre é efeito fiel de correspondentes interiores. É preciso ainda dizer que essa fonte confusa dos nossos atos nem sempre é totalmente consciente. Bem, é comum que não o seja. Nós costumamos mentir para nós mesmos, e por isso não nos agrada quando alguém nos acusa de algo justamente. Nos é preferível à sensibilidade ficar na ignorância dessas coisas. E isso é assim também conosco. Se quem tenta conhecer-se encontra nisso extrema dificuldade, imaginem que não tem interesse nisso.

O que caracterizaria então a ação moral? Parece-me poder dizer que é a conjugação de ação boa em si - isto é, tomada objetivamente - com o desinteresse pessoal, isto é, sem qualquer cálculo de ganho pessoal em quem age. Quando há dissociação entre ação e intenção, temos a clássica situação da hipocrisia. Esta pode ser mais consciente e voluntária, mas também pode sê-los menos. Uma pessoa que, enquanto faz uma boa ação, diz interiormente que não quer recompensa e que faz somente pelo outro, pode ainda assim esconder, numa região mais  interior e ao abrigo da visão atual da consciência, a intenção de comover a Deus, e, assim, alcançar d'Ele algum favor. São João da Cruz, por isso, pedia para que, quando fizéssemos um ato correto, fizéssemo-lo como se mesmo Deus nunca fosse tomar notícia dele.

É bastante comum também que um sujeito passe a agir moralmente depois de alguma experiência que o tenha comovido. Inspirados, todos tendemos a agir de modo diferente, e isso não é ruim, mas a esfera da comoção, que é o campo dos nossos sentimentos, é por natureza volúvel e não há que se construir nada nisso aí. Óbvio que este pode ser um começo, mas, em quem não o percebe, haverá uma vaga e tola esperança de que aquele estado de espírito que então se vive seja perpetuado, o que asseguraria então que a nova direção das ações pessoais estaria resguardada. Contudo, além da falsidade dessa conclusão - que, não obstante, retomamos de novo e de novo -, o próprio ato de agir quando isto dá à consciência aquele conforto característico - quando a ação é um modo de assegurar o próprio valor moral, ou a própria concordância a um ideal - torna a ação, já, maculada. Há, no fim, uma busca por auto-satisfação. Notem que o problema não é a satisfação que uma boa ação pode causar à pessoa, mas a busca por ela. O prazer e a felicidade não devem ser objetos diretos da busca humana. Eles, por natureza, são acompanhantes. Eles se vinculam a objetos. Se buscamos objetos prazerosos, eles nos darão prazer. Se buscamos somente o prazer, ele até se permitirá fruir, mas não o fará sem resistência. É por isso que os vícios tendem a produzir efeitos cada vez menores. Com a felicidade é o mesmo: ela será tanto maximizada quanto menos for o objeto de busca principal. "Nega os teus desejos e encontrarás o que deseja o teu coração".

Se uma pessoa se habitua a agir buscando o prazer e a felicidade nas coisas, ainda que inconscientemente, ela se condenará a uma série de prejuízos: terá um tipo de vida moral muito condicionada às circunstâncias, será necessariamente inconstante - pois se moverá segundo suas disposições interiores -, tenderá ao egoísmo - pois está sempre gravitando em torno dos próprios ganhos -, e, como sua consciência estará enredada no fluxo das sensações exteriores e interiores, será necessariamente inquieta e superficial, pois nunca entra fundo em si mesma, onde as coisas são mais estáveis. O produto disso tudo é uma espécie de cegueira e de depressão crônica subjacente, pois, a rigor, a alma anda perdida. E isto se torna um círculo vicioso: quando mais tristeza, mais busca desesperada por algo que a supra, e, como esta busca mantém a lógica da tristeza, esta aumenta, levando a mais ações e mais angústia. A pessoa age como alguém que, estando machucado, golpeia os pregos diante de si, e, ao aumento da dor, aumenta a violência dos golpes.

O desinteresse interior, ao contrário, reorienta a alma para além de si mesma. Isto gera uma saída do solipsismo, e ela se torna disponível a qualquer outra voz além da sua. Relativizar-se é o começo da saúde. Aceitar que Deus é Outro, e não eu mesmo, é algo que não basta compreender: é necessário intuir e saborear. Isto permite que a pessoa aja independentemente do que está sentindo no momento. Se ela passa a agir assim, chegará o dia em que já não se perguntará se o que tem de fazer é agradável ou não. Ela fará. A pessoa cessa de ter uma intenção curva - que voltava sempre pra ela mesma - e passa a ter uma intenção reta, e a intenção reta, diz o Imitação de Cristo, alcança Deus.

Para reorientar a intenção interior, não é suficiente somente um esforço de consciência, embora este já seja útil. Compreender essas verdades é fundamental para alguém que quer fazer da vida algo além de um rodopio em torno de si mesmo. Mas é preciso acrescer outras coisas: a nossa vida inteira foi vivida nessa lógica, e o nosso pecado não é senão uma culminância natural disso que ocorre na nossa alma. Se é verdade que a operação segue o ser - e é verdade -, o nosso pecado é sempre a exteriorização de um tipo de enfermidade interior. O que fazer, então? Primeiramente, compreender isso tudo, mesmo, pois a nossa consciência, embora seja atingida por esse fluxo desordenado de paixões, ainda é capaz, em geral, de, com o devido esforço, olhar como que por cima da tempestade. Estes saltos permitem-na ver. Em seguida, é preciso combater ativamente a desordem, e, para isso, não há outro meio que a mortificação. Mortificar-se é inverter a ordem. Se antes se vivia para o prazer e para o ganho sensível, agora o sujeito buscará ativamente os desprazeres e, passivamente, não reclamará nem fugirá dos desconfortos. É isso o que quer dizer ainda São João da Cruz quando escreve: "Deixa-te ensinar, deixa-te mandar e desprezar, e serás perfeito." É como quando, depois de girar muito para um lado, e já bêbados, precisamos agora girar para o outro para diminuir a tontura. Quanto menos tontura, melhor disposição interior e mais clara a visão. E quanto mais avançados nesse caminho, mais perceberemos detalhes e sutilezas. Desde já, porém, é preciso notar: não há caminho alternativo. Haveria somente se Deus coagisse a alma. E Ele de certo modo o faz quando nos dá sofrimentos. Os sofrimentos são como um empurrão por esse caminho em quem ia totalmente pelo outro lado. Mas, ainda assim, isso não é determinante, pois, em última instância, a decisão é sempre da pessoa.

Atos morais, que são totalmente bons, são os atos desinteressados e que se orientam em direção ao bem objetivo. É assim que Deus age, e é assim que o cristão deve viver: imitando-O.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Feliz Páscoa! Ele Ressuscitou!


Ele havia dito: "Agora estais tristes. Eu sinto a vossa tristeza. Mas hei de ver-vos outra vez e a vossa tristeza se converterá em alegria e ninguém vos tirará a vossa alegria".

E assim aconteceu. Depois dos graves e dolorosos dias de Penitência e de meditação dos Mistérios da Paixão, passamos por aquele hiato da ausência de Jesus e, enfim, eis que chegamos ao momento feliz de revê-Lo. Está novamente entre nós e já não há absolutamente nada que ameace esta Vida.
"Nem a morte, nem a provação, nem as alturas, nem as profundezas, nem as potestades...", diz São Paulo. O Cristo que ressuscitou já não morre mais. 

Alegremo-nos, pois, e n'Ele exultemos, pois este é o dia que o Senhor fez para nós. Permitamos que esta nova vida nos abarque e nos transfigure, também. Todo o nosso ser deve ser tocado, mudado e cristificado pelo ressuscitado. A morte foi vencida. É a vida, agora, que reinará para sempre. No entanto, esta vida não nos é imposta. Se nada pode nos ameaçar de perdê-la, ela pode ser recusada pela nossa própria vontade. Façamos o possível para a acolhermos. Sejamos generosos com ela e baixemos as nossas defesas. Estejamos com Nosso Senhor, delícia eterna e felicidade sem limites!

Feliz Páscoa!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A segurança de não ter satisfação em coisa alguma


Parece demasiada exigência dizer que não tenhamos satisfação em coisa alguma! 
É porque não se diz a um tempo quantos prazeres e alegrias acarretam esta contradição, 
e o quanto se ganha com ela, ainda nesta vida! Quanta segurança!

Sta Teresa D'Avila, Caminho de Perfeição

domingo, 8 de julho de 2012

Tesouro, de novo...


A Sagrada Escritura nos diz que encontrar um amigo é encontrar um tesouro. Como poderíamos, então, definir a alegria de reencontrar este amigo? 

Neste dia de hoje, estou felicíssimo porque reencontrei uma pessoa muito querida por mim. Não sei se convém dizer-lhe o nome, mas é suficiente dar a saber que é uma grande amiga, alguém por quem aprendi a ter  bastante carinho. Agradeço a Deus por esta alegria. E que ela seja muito bem vinda, de novo! ^^

Deus a abençoe.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A prisão do egoísmo e a alegria da liberdade



‎"O Espírito Santo é um espírito de alegria, porque nos sentimos felizes quando vemos cair as nossas cadeias. A maior tristeza do homem é a de sentir-se preso numa prisão que se não pode abrir porque tem o nome de egoísmo; é nele que o homem está fechado. Mas cada ato de obediência, de humildade, de caridade, liberta-lhe o coração e sentimos que ressoa ao céu, como o esvoaçar de uma ave cuja gaiola acaba de ser aberta."
(Por um cartuxo anônimo) 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cante, minh'alma, a bondade do Senhor...


"A minha alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador..." (Sl 123,7)

"Ainda se formos infiéis, Ele permanece fiel..." (2 Tim 2,13)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Olhar do divino Infante



"Ó Jesus, preciso de que me anime, 
o sorriso dos Vossos lábios; a Vossa confiança será a minha força, 
o Vosso contentamento será a minha alegria. 
Nada custa quando se é amado e quando se ama... 
Dizei-mo por meio dum desses olhares que tão fundo penetram na alma. 
Ó minha alma prolonga a tua contemplação... 
O olhar do divino Infante será sempre muito vago 
para aqueles que O fitam apenas de passagem..." 

(Cônego Beaudenom)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Seja muito bem vinda, Primavera


"Oh, esta é a voz do meu Amado! Ei-lo que aí vem, saltando sobre os montes, pulando sobre as colunas. Meu bem-Amado disse-me: "Levanta-te, minha amiga; vem, formosa minha. Eis que o inverno passou, cessaram e desapareceram as chuvas. Apareceram as flores na nossa terra, voltou o tempo das canções. Em nossas terras já se ouve a voz da rola. A figueira já começa a dar os seus figos, e a vinha em flor exala o seu perfume. Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem." (Ct 2,8;10-13)

Que se faça primavera também na minha alma. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Primavera Chegando...



Quando uma flor se agita aos primeiros raios do sol, é uma suave lição, que podemos aproveitar; ela indica-nos um outro sol, cuja luz nos aquece o coração; quando se apraz crescer entre as urzes, ensina-nos a humildade e a vida oculta; quando nos olha e parece suplicar-nos que a reguemos a fim de reparar a vida quase extinta, ensina-nos a solicitar também o verdadeiro orvalho das almas. Enfim quando pende e morre, faz-nos sinal, e recorda-nos que a nossa vida será em breve descolorida; mostra-nos que a existência da flor e a do homem, que pareciam tão diferentes na duração, se confundem perante a eternidade, em que mil anos são como um dia.

Monsenhor Landriot

sábado, 6 de agosto de 2011

2º Mistério Gozoso - Maria visita sua prima


No mistério anterior, vimos como Maria abandona-se à vontade divina, de modo pleno, e que isto lhe possibilita assumir em seu bendito ventre o Verbo divino, desposada que foi pelo Espírito Santo.

Pois bem. Aqui veremos que, tão logo assume em si o próprio Deus e toma conhecimento de ser objeto da predileção divina, Maria não se põe a descansar, olhando o mundo como de cima para baixo. Não. Neste mistério, contemplamos que a mesma Maria que se disse "Ancilla Domine", permanece no seu ministério de serviço e, sabendo da gravidez de sua prima, uma senhora já de idade, a Virgem ruma para sua casa, enfrentando uma longa distância. A sede de servir na sua alma era grande, pois, além de ser agraciada com todas as virtudes, Maria trazia consigo o próprio Deus, Aquele mesmo que disse: "eu não vim para ser servido, mas para servir". Oh bem aventurada disposição esta que não considera nada como pesado. "Se te pedirem para andar mil passos, anda dois mil". Vazia de si mesma, Maria era plenamente revestida de Deus, era a Gratia Plena, a Kecharitomene (1), um oceano de bondade e de todas as demais virtudes.

E lá vai Maria. Sob o corpo talvez franzino daquela menina, um abismo de Mistério e, naquele ventre, o Altíssimo. Chega Maria na casa de sua prima e, ao ouvir a sua saudação, Isabel sente a criança em seu ventre, cujo nome será João, estremecer. A voz de Maria, vazia de si e rendida a Deus, torna-se suficiente para que o Espírito Santo preencha Isabel e santifique a criança no seu ventre. Aqui se realiza o que, mais tarde, este mesmo João irá dizer: "O amigo do Esposo se alegra ao ouvir a Sua voz". É ainda o mesmo que é descrito no livro dos Cânticos quando o Amado, ainda que sem se deixar ver, faz que a esposa note a Sua presença por trás da porta e, apenas isso, faz que a alma da esposa estremeça. Oh Virgem Santíssima que és a Porta Coeli, a Porta do Céu. Feliz o que te encontra e ouve a tua saudação. Feliz foi Isabel que, ao ouvi-la, exclamou: "De onde me vem a honra de que a Mãe do Meu Senhor me venha visitar?". Oh Maria, és como que o transporte divino, pois Deus vem a nós por meio de ti e é também por meio de ti que iremos a Ele.

De onde me vem a honra de que sejas minha Mãe? Certamente, não vem de mim mesmo. Mas do teu Filho, Deus feito carne, que, assumindo a nossa humanidade e tocando a nossa dor, elevou-nos e mereceu-nos tão inestimável dom. És uma digna mãe de Deus, já dizia um santo. E este Deus curou a nossa orfandade confiando-nos aos teus cuidados. Que honra! E, então, Maria canta:

"Minha alma engrandece o Senhor 
e meu espírito se transporta em santa alegria em Deus meu Salvador.
Porque pôs os olhos em sua humilde escrava; por isso todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Grandes maravilhas obrou comigo o Onipotente, cujo nome é santo.
Cuja misericórdia se estende de geração em geração em todos os que o temem.
Assim ostenta o poder de seu braço, transtorna os desígnios dos soberbos.
Derruba os poderosos do seu assento, e exalta os humildes.
Enche de bens os necessitados e os ricos deixa vazios.
Decretou exaltar Israel seu povo, lembrando-se de sua misericórdia.
Para cumprir a promessa que fez aos nossos pais, Abraão e a todos os seus descendentes."

Feliz, mãe, mil vezes feliz os que a ti se confiam e imitam o vosso abandono, se fazem vossos escravos e encarnam em si mesmos o Verbo que levaste em vosso seio.

Ave, mistério, vontade inefável!
Ave, ó fé maturada em silêncio!
Ave, prelúdio dos fastos de Cristo!
Ave, sumário do Santo Evangelho!

Akatistos, Ikos II


Fábio.

(1) Kecharitomene - termo grego usado pelo Arcanjo Gabriel em sua visita à Virgem Maria e que significa "plena de todas as graças de modo atemporal, isto é, desde o início da sua existência e para sempre".

quarta-feira, 20 de julho de 2011

"Busquem a Deus, pois Ele já nos buscou"


"Busquem a Deus, pois Ele já nos buscou. Só precisamos dar o nosso sim, como a Virgem Maria. E deste sim, deste único sim, depende a nossa felicidade"

Ir. Kelly Patrícia

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Conhecer a Jesus só é possível se Ele se revela


"Buscai o Senhor enquanto Ele se deixa encontrar" (Is 55,6)

Os que criticam a Nosso Senhor e lhe negam total adesão da vida, afirmando que talvez Ele não queira isso, pecam sempre por simplismo, seja já na interpretação da religião, seja também na suposição de conhecê-Lo bem, assim, simplesmente olhando de longe e fazendo breves meditações a respeito. Porém, Cristo não é um objeto inerte e pequeno que se consegue abarcar assim, de uma olhadela. É, primeiramente, Alguém que Se revela, quando encontra, no que O busca, as devidas disposições que são sempre o esvaziamento das próprias reservas e subtefúrgios para não aderir, como a radical sede de verdade. Depois, Nosso Senhor é inesgotável. Toda uma vida não será suficiente para conhecê-Lo em absoluto. Podemos, porém, começar a fazê-lo e, então, encontraremos tanta riqueza como sequer supúnhamos. Se dizemos que algo deve ser muito grande para sinceramente nos satisfazer de todo, Nosso Senhor torna nossa ressalva risível, porque Ele superabunda absolutamente e infinitamente o que esperamos que seja e, como se não bastasse, embora digamos que nossas exigências são altas, é Ele quem nos alarga ainda mais a alma para que possamos, sempre um pouco mais, fruir de Sua Majestade, aumentando-nos, para tal, a nossa capacidade de autêntica alegria.

Para conhecer a Nosso Senhor, não basta olhá-Lo, assim, de longe, e ensaiar uma tímida interpretação sobre o que Ele seja ou sobre o que d'Ele pensam os religiosos e espirituais. Querer conhecê-Lo sem abandonar-se e, portanto, sem expôr-se, é perpetuar a nossa desconfiança e manter os estreitos limites do nosso baixo horizonte. Se no amor humano, exige-se a total entrega, muito mais o será no amor divino. 

Para conhecê-Lo é preciso se deter n'Ele com a alma inteira, e passar tempo, e esfomear-se. Ele é como o Tesouro Escondido que não se revela se o homem não sai de sua casa. É preciso cavar, e é preciso cavar antes de que seja visto. Mas é como diz o Evangelho: "Se o homem o encontra, ainda que não tenha mais nada, é plenamente feliz". Outros olharão para este homem e o criticarão, rindo da sua pretensão de ter encontrado a Única pérola que realmente buscava. E dirão que são felizes com bijouterias.

É indigno buscar a Nosso Senhor sem abandonar, no processo, a si mesmo. 
"Aquele que põe a mão no arado e olha pra trás, não é digno de Mim".

Jesus é grande demais para caber num coração cheio de reservas. E, no entanto, é infinitamente paciente, e espera...



A Vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa Cruz sacrossanta descobertos:
Que para receber-me, estais abertos,
E, para não castigar-me, estais cravados.

A vós, olhos divinos eclipsados,
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Que, para perdoar-me, estais despertos.
E, por não devassar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não fugir-me,
A vós, cabeça baixa, por chamar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me;

A vós, lado patente, quero unir-me;
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme!

(Da "Floresta" do Pe. Manuel Bernardes)

Poesia tirada do blog Zelo Zelatus Sum

terça-feira, 21 de junho de 2011

Aniversário da Rafinha, eehhhhh!!!


Risinho doce, ela é um amor de pessoa, e é muito agradável estar junto dela
Abraço terno, de um dengo só, Rafinha faz lembrar uma criança traquina
Flor delicada que inspira cuidado, é, no entanto, uma pessoa forte
Acontece de se revoltar e falar umas potocas, mas ela é bem inteligente
Ela é como uma janelinha transparente; sua alma se deixa ver
Livre será quando vencer tantos medos no seu coraçãozinho
Ypsilon é uma letra que não dá pra escrever muita coisa com ela.

Bju Rafinha. Feliz Aniversário. Que Deus te abençoe e Mamãe te conduza sempre. Pax.

domingo, 24 de abril de 2011

Ressuscitou! Que alegria!


Enfim, chega o Domingo. As mulheres, ainda pesarosas, levantam-se cedo e rumam para o sepulcro onde, dias atrás, tinham sepultado Jesus. Além dos cuidados comuns aos judeus com os corpos dos defuntos, talvez o fato de se aproximarem do corpo d'Ele mais uma vez como que pudesse, quem sabe, estender um pouco aquela primavera que tinham vivido junto àquele terno nazareno.

Mas a saudade era tamanha que sequer notaram que aquele não era simplesmente um novo dia, mas o primeiro dia de uma nova criação. A dor de seus corações lhes impedia de notar que, naquela manhã, toda a terra como que respirava outros ares, como se invadida por um sopro de vida, à semelhança de uma criança perdida que vê, de repente, atrás de si a presença tão conhecida e única do seu pai.

E lá foram elas. De repente, viram o túmulo vazio e a pesada pedra movida da entrada. Roubaram o Seu corpo? Mas quem poderia ter feito isto? Suposições meramente humanas e de horizonte estreito. Dois seres celestiais, presentes à cena, anunciam com grande alegria a novidade: "por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não está aqui... ressuscitou como havia dito!"

E, então, se fez dia também naquelas almas...

A alegria de sabê-Lo vivo? Como poderei descrever? Não posso...

Viram-No depois. Nada era mentira... Tudo quanto Ele tinha falado era a mais pura e concreta verdade. Que alegria! Que alegria! Que alegria! Só posso dizer que aquela alegria era ainda prelúdio de uma vindoura. "E ninguém vos tirará a vossa alegria!" Ah... que nobre esperança! E esta é a alegria de um amor real: o amor dAquele que crucificaram e que agora vive!

Bendito seja Deus! Bendita seja a Cruz pela qual fomos reconciliados com Deus! Ó mistério dos mistérios! Ó alegria verdadeira! Mil graças sejam dadas a Nosso Senhor!

"Eis que estareis convosco até o fim dos tempos..."

Ahhh...

Dizia S. Francisco de Assis: o cristão é aquele que não consegue esconder a alegria por ter descoberto tão precioso tesouro...

Que assim seja.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Semi Férias - Japaratinga!


Estarei em semi-férias até terça feira. Que o bom Deus nos ajude nestas eleições.
Indo a Japaratinga. Descansar um pouco, rir com os amigos e ver o mar...

Fiquemos todos com o bom Deus e com a Doce Virgem Maria. Pax.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Semi-Férias!!! Eh!!!! To the Beach!!!


Amanhã estarei viajando... Vou a uma pousada, pertinho da praia, num tipo de "semi-férias". No fim do ano a coisa sai mais cara, e não temos condições para tal.. rs... Já é com aperto que nos decidimos fazer isto. Faremos algo que os amigos do Opus Dei chamam de "convívio". Pena irmos tão poucos, apenas cinco pessoas; iríamos seis, mas uma desistiu ainda ontem, devido a necessidades da Faculdade. Este mundo acadêmico tem seus profundos inconvenientes... Se estas ocasiões ainda fossem frequentes....

Bem.. Vou ver o mar.. Ah! o mar... Se eu pudesse viveria sempre pertinho. Alguns me chamarão de matuto (kkk) mas, mais matuto eu consideraria quem se pusesse indiferente diante de tal imensidão de beleza. Como não remetermo-nos, imediatamente, à grandeza e beleza do Criador? Se encantar-se com a majestade do mar é matutez, eu o sou com muito gosto.. kk... Pobres os que, pela proximidade e ordinariedade do contato, deixam de notar as belezas da vida...

Sempre me pareceu estranho que, embora o firmamento seja algo belíssimo e esteja sobre as nossas cabeças constantemente, tão poucos de nós paremos para observar-lhe. Eu sou encantado pelo céu, muito embora, admita, também passo tempos sem notar-lhe... Ah... A beleza está em todo canto... Outro dia, faltou energia à noite, e, de repente, abriu-se a nós um espetáculo no céu noturno: as estrelas se fizeram notar e me veio uma vontadezinha: "quem dera que todos os dias faltasse energia"... Porém, as luzes falsas, estas invenções das quais tanto nos gloriamos, nos ofuscam estas belezas. Não são assim as nossas vaidades? As nossas pretensões? Em nome destas coisas insignificantes deixamos de notar aquilo que é verdadeiramente belo..

Verei o mar, e não deixarei de admirar-lhe e sentir a maresia, e ouvir as ondas.. Mas buscarei fazer como o fazem as crianças: sem apego, sem querer roubar o momento ou intensificar o que, porventura, venha a sentir. Buscarei agir como pobre: nem quererei provocar nada, nem tampouco prolongar as sensações; serei como alguém que contempla uma rosa justamente onde ela está, sem cair na tentação de querer fazê-la sua... Tenho pra mim que a infância, por vezes, é tão querida porque nela vivemos, justamente, como pobres...

Há uma frase do Thomas Merton que muito me agradou quando a li pela primeira vez, e até hoje costuma me servir de norte em certas ocasiões: "tudo é teu, sob a condição de tudo te ser dado".. É justamente isto que permite uma atitude de leveza... irei de mãos vazias e voltarei assim também... Dessa forma, sem me apropriar de nada, poderei voar. Desde que nada desejo, tudo me é dado; autêntica teologia sanjuanista! Do contrário, diz o santo: "quanto mais procurei, com tanto menos me encontrei"...

Ah.. No lugar que vamos tem Santa Missa no domingo pela manhã... Que beleza..
Parece que Nosso Senhor é quem nos prepara esta viagem...
Que sirva, então, para mais O amar....

Fábio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As pedras também são...


Ontem à noite, estive conversando com um colega formado em música e, em dado momento, citei o ingênuo Descartes, como lhe chama o incômodo pensador francês Léon Bloy, e a sua fórmula do Cogito. Apenas perguntei se ele conhecia a célebre falácia "penso, logo sou" e, imediatamente, ele me retrucou que tal assertiva caíra em desuso, pois uma pedra, embora não pense, é.

Bem.. Embora tal resposta, dada pelo meu colega músico, seja tão óbvia, fiquei imensamente feliz ao ver que ele, ainda que não adentrado nestes campos filosóficos e religiosos (até onde eu sei), constatou com uma grande naturalidade a fragilidade desta falsa afirmação. Outros, até pela inventada autoridade deste pensador, facilmente diriam que isto está certo, mas meu colega soube olhar direito.  Porém, embora assim fosse, não sei se ele percebia a relação entre este erro do "pai da filosofia moderna" e a ditadura de achismos a que assistimos nos dias de hoje, mesmo nas universidades onde, ironicamente, a verdade, por vezes, nem é considerada.

Quis alongar a conversa neste assunto; fiquei faminto por isto, mas tínhamos outras obrigações a fazer. Precisávamos selecionar algumas músicas para um projeto num futuro bem próximo. Mas, enfim, algo tão simples me fez sorrir... Que Deus abençoe este meu colega e o traga, de vez, ao abrigo da verdade.

Fábio.