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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Aviso: Estarei em Retiro



Caríssimos,

A partir de hoje, estarei em um retiro, pelo que o blog ficará sem postagens pelo menos até eu voltar. Retomo, então, na quarta-feira, se Deus quiser. E como, neste dia, estaremos vivendo o início da Quaresma, gostaria de vos recomendar um livro - que já recomendei outros anos - e que, penso, poderá ser útil à vossa meditação.

Trata-se do Caminho dos Ascetas - Iniciação à Vida Espiritual, do escritor Tito Colliander. É um livro que traz a espiritualidade dos Padres do Deserto. E, embora seja uma obra relativamente curta, ela compensa na profundidade. E uma das suas grandes características é que ela oferece modos bem práticos de aplicação daquilo que o autor diz. Recomendo mesmo. Se se interessarem, façam somente o pequeno esforço de imprimir o livro. Para acessá-lo, cliquem na imagem abaixo.



Deixo-vos, enfim, com uma frase do livro e que deve ser aplicada já agora no Carnaval:

"Se confias em ti mesmo, serás derrubado de imediato, e perderás toda a vontade de continuar a luta."


Abraço. Que Deus nos abençoe e guarde. Que a Virgem Santíssima nos conduza.

Ad Iesum Per Mariam

Fábio

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A fidelidade a Nárnia contra a retórica do submundo



Para entender o que vai abaixo, saiba o leitor que a cena se dá dentro de um mundo subterrâneo, tão abaixo da superfície que lhes é estranho e distante tudo o que se passa aqui em cima. Note ainda como a argumentação sofística da bruxa se assemelha, em vários pontos, à retórica ateísta.

***

A bruxa nada disse, mas andou vagarosamente pela sala, conservando os olhos fixos no príncipe. Ao chegar a uma arca não longe da lareira, abriu-a, apanhando lá dentro um punhado de pó verde, que atirou ao fogo. Não fez o fogo arder muito, mas um aroma muito doce e inebriante encheu a sala. Durante a conversa que se seguiu o cheiro foi ficando mais intenso, dificultando o ato de pensar. Em seguida, ela pegou um instrumento meio parecido com um bandolim e começou a tocar um repenicado monótono que se fez despercebido depois de poucos minutos. Também isso atrapalhava o raciocínio. Depois de ter tocado por algum tempo, com o aroma doce cada vez mais forte, começou a dizer numa voz macia:

- Nárnia? Nárnia? Ouvi Vossa Alteza pronunciar esse nome durante os delírios. Querido príncipe, você está muito doente. Não há nenhuma terra chamada Nárnia.

- Há sim, madame - interrompeu Brejeiro. - Eu mesmo passei lá minha vida inteira.

- Que interessante! - disse a bruxa. - Mas diga-me por favor uma coisa: onde é essa terra?

- Lá em cima - respondeu Brejeiro, decidido, apontando para o teto. - Mas onde fica exatamente, não sei.

- Como assim? - perguntou a rainha, com uma risadinha musical. - Existe então um país lá em cima, no meio das pedras e do reboco do teto?

- Não - respondeu Brejeiro, respirando com certa dificuldade. - O país fica por cima. É o Mundo de Cima.

- E onde fica... como é o nome... esse Mundo de Cima?

- Oh, deixe de bancar a boba - disse Eustáquio, que lutava contra o encantamento produzido pelo doce aroma e o repenicar do bandolim. - Como se não estivesse cansada de saber! É lá em cima, lá onde você pode ver o céu, o Sol e as estrelas. Esta é boa! Você já esteve lá! Nós nos encontramos lá!

- Peço perdão, irmãozinho - riu-se a bruxa, uma delícia de riso. - Não me lembro desse encontro. Quando sonhamos é que costumamos encontrar os nossos amigos em lugares estranhos. Mas, a não ser que sonhemos o mesmo sonho, não é razoável pedir que se lembrem.

- Senhora - disse o príncipe gravemente -, já lhe disse que sou filho do rei de Nárnia.

- E será, meu amigo - disse a rainha numa voz ciciante, como se estivesse acalmando uma criança -, será rei de muitas terras imaginárias.

- Também estivemos lá - falou Jill com impertinência. Estava furiosa por perceber que o feitiço ia tomando conta dela.

- E você também é rainha de Nárnia, não é, minha belezinha? - disse a feiticeira, na mesma voz insinuante, mas meio zombeteira.

- Negativo - respondeu Jill, batendo com o pé. - Nós somos de outro mundo.

- Ah, que maravilha! Diga-me, senhorita, onde fica esse outro mundo? Quais os navios e carruagens que fazem o transporte para cá?

Uma cachoeira de lembranças caiu sobre Jill: o Colégio Experimental, sua casa, aparelhos de rádio, automóveis, aviões, engarrafamento, filas. Mas pareciam imagens apagadas e distantes. (Drim-drim-drim, repenicava o bandolim) Jill não conseguia lembrar-se das coisas de nosso mundo. E dessa vez não lhe ocorreu que estava sendo enfeitiçada, pois a magia atingira o auge. Surpreendeu-se dizendo (e era um alívio dizê-lo) o seguinte:

- Acho que o outro mundo deve ser um sonho.

- Claro. O outro mundo é um sonho - disse a bruxa, sempre repenicando.

- Um sonho - repetiu Jill.

- Nunca existiu esse mundo - disse a feiticeira.

Jill e Eustáquio falaram ao mesmo tempo:

- Nunca existiu esse mundo.

- Só existe um mundo - continuou a bruxa -, o meu.

- Só existe o seu mundo - disseram eles.

Brejeiro ainda tentava resistir:

- Não sei direito o que você entende por um mundo - disse, como alguém que não respira ar suficiente. - Mas pode tocar essa rabeca até que seus dedos caiam no chão; mesmo assim nunca vou me esquecer de Nárnia. E nem do Mundo de Cima. Imagino que nunca mais o veremos, pois é bem provável que o tenha obscurecido como fez a este mundo. Mas vou saber sempre que estive lá. Já vi o céu cheio de estrelas. Já vi o Sol nascente no mar e sumindo atrás das montanhas ao cair da noite. E vi também o Sol ao meio dia, cujo brilho nos fere a vista.

As palavras de Brejeiro tiveram um efeito estimulante. Os outros três respiraram de novo e se olharam como pessoas que despertam.

- Que Aslam abençoe o nosso bom paulama - disse o príncipe. - Estivemos sonhando. Como iríamos esquecer? Todos nós já vimos o Sol.

- É claro que sim! - gritou Eustáquio. - Muito bem, Brejeiro. Você é o único aqui que não perdeu o juízo.

E mais uma vez se ouviu a voz da feiticeira arrulhando como uma pombarola no alto da árvore de um velho quintal, às três horas de uma sonolenta tarde de verão:

-  De que sol vocês estão falando? Essa palavra significa alguma coisa?

- Significa muito! - respondeu Eustáquio.

- Poderiam contar-me como é o sol? (Drum-drim-drim)

- Por obséquio, Majestade - disse o príncipe, com fria polidez. - Vê aquela lâmpada redonda e amarela iluminando a sala? O que chamamos Sol é parecido, só que é muito maior e muito mais brilhante e ilumina todo o Mundo de Cima. E em vez de estar preso no teto, está solto no céu.

- Solto onde? - E enquanto pensavam na resposta, ela prosseguiu, com uma de suas risadinhas melodiosas: - Estão vendo? Quando vocês procuram saber o que deve ser realmente o tal de sol, não conseguem. Só sabem dizer que parece uma lâmpada. O sol de vocês é um sonho, e não há nesse sonho nada que não tenha sido copiado de uma lâmpada. A lâmpada é real; o sol não passa de uma invenção, uma história para crianças.

- Ah, sim, é verdade - disse Jill com uma voz pesada e sem esperança. - Deve ser isso mesmo. - E acreditava que estava sendo muito sensata.

Lenta, gravemente, a feiticeira repetia: "Não há Sol." E eles nada mais diziam. "Não há Sol" - ela repetia, com a voz mais branda e profunda. Depois de uma pausa e de um conflito em seus espíritos, todos os quatro disseram: "Certo. Não há Sol". Era um alívio desistir e reconhecer que o Sol nunca existira.

Nos últimos minutinhos Jill sentira que havia alguma coisa da qual, a todo custo, tinha de se lembrar. E agora conseguia. Era entretanto tremendamente difícil dizê-la. Sentia como se enormes fardos pesassem em sua boca. Por fim, com um esforço que pareceu axauri-la, disse:

- Aslam existe.

- Aslam? - disse a feiticeira, apressando ligeiramente o repenicado de seu instrumento. - Que lindo nome! Que significa Aslam?

- Aslam é o grande Leão que nos chamou de nosso mundo - disse Eustáquio - e aqui nos enviou em busca do príncipe Rilian.

- Leão, o que é um leão? - perguntou a bruxa;

- Ora, não amole - respondeu Eustáquio. - Não sabe? Como é que eu vou descrever um leão? Já viu um gato?

- Claro, adoro gatos - respondeu a feiticeira.

- Bem, um leão é um pouquinho... só um pouquinho, hein... parecido com um gato enorme com uma juba. E é amarelo. E é incrivelmente forte.

A feiticeira balançou a cabeça:

- Acho que o leão de vocês vale tanto quanto o sol. Viram lâmpadas, e acabaram imaginando uma lâmpada maior e melhor, a que deram o nome de sol. Viram gatos, e agora querem um gato maior e melhor, chamado leão. É puro faz-de-conta, mas, francamente, já estão meio crescidos demais para isso. Já repararam que esse faz-de-conta é copiado do mundo real, do meu mundo, que é o único mundo? Já estão grandes demais para isso, jovens. Quanto ao meu príncipe, um homem feito, que vergonha! Brincando depois de grande! Venham. Esqueçam essas fantasias infantis. Tenho trabalho para vocês no mundo real. Não há Nárnia, não há Mundo de Cima, não há céu, nem Sol, nem Aslam. Agora, cama. E vamos começar vida nova amanhã. Primeiro, cama. Dormir. Dormir bem, um travesseirinho macio, um sono sem sonhos bobos.

O príncipe e as duas crianças estavam de cabeça caída, as faces coradas, os olhos semicerrados; fugira-lhes toda a energia, o sortilégio era quase total. Mas Brejeiro, juntando desesperadamente o resto de suas forças, caminhou até a lareira. E praticou então uma proeza de rara coragem. Sabia que não doeria tanto quanto em um ser humano, pois seus pés (sempre nus) eram membranosos, duros e frios como pés de pato. Mas sabia que iria doer bastante; mesmo assim o fez: espezinhou as brasas, apagando um pouco o fogo. Três coisas aconteceram.

Primeiro: o doce e pesado aroma diminuiu muito. O cheiro de paulama assado, que não é inebriante, predominou na sala. O cérebro de todos ficou mais limpo. O príncipe e as crianças ergueram as cabeças e abriram os olhos.

Segundo: a feiticeira, num tom terrível, completamente diferente da voz doce que havia usado até então, de um berro:

- O que está fazendo? Se ousar tocar no meu fogo outra vez, porcalhão imundo, vou transformar em fogo o sangue de suas veias!

Terceiro: a própria dor esclareceu completamente a cabeça de Brejeiro, pois não há nada como um impacto doloroso para desfazer certas espécies de magia.

- Uma palavrinha, dona - disse ele, mancando de dor -, uma palavrinha: tudo o que disse é verdade. Sou um sujeito que gosta logo de saber tudo para enfrentar o pior com a melhor cara possível. Não vou negar nada do que a senhora disse. Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo - árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real.

C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, A Cadeira de Prata, Cap. 12.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Caspian começa a ficar livre


"Dormir ao ar livre, beber apenas água, alimentar-se quase exclusivamente de nozes e frutos do mato foi uma experiência completamente nova para quem, como Caspian, estava habituado a deitar em lençóis de linho no quarto atapetado de um palácio, a ter as refeições servidas numa antecâmara, em baixelas de prata e ouro, com muitos criados prestimosos. Nunca Caspian fora tão feliz. Nunca o sono o deixara tão descansado, nem a comida lhe parecera tão saborosa: assim, começou a ficar maduro de espírito, e seu rosto adquiriu uma expressão régia.

C.S.Lewis, As Crônicas de Nárnia, Príncipe Caspian, Cap. 7.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Enquanto souber que não é ninguém em especial, será muito honrado"


- Nunca mais verei Nárnia! - disse Bri, baixinho.

- Não está se sentindo bem, meu caro? - perguntou a moça.

Só então Bri virou-se para ela, com uma cara de tristeza que só os cavalos têm.
- Vou voltar para a Calormânia - disse.

- O quê? Vai voltar para a escravidão?!

- Vou. Só sirvo para ser escravo. Com que cara vou chegar a Nárnia? Deixei uma égua, uma moça e um rapazinho entregues aos leões e saí em disparada para salvar a minha mísera carcaça!

- Todos nós saímos em disparada - disse Huin.

- Shasta, não! - fungou Bri. - Pelo menos correu na direção certa: para trás. E é isto de que ainda mais me envergonho. Eu, que me proclamo um cavalo de guerra e me vanglorio de mais de cem batalhas, ser batido por um rapazinho humano: uma criança, um mero potrinho que jamais empunhou uma espada, e que jamais teve bons exemplos em sua vida!

- Entendo - disse Aravis. - Estou sentindo a mesma coisa. Shasta foi maravilhoso. Também eu sou ruim, Bri. Desde que nos encontramos, trato Shasta com superioridade. .. E é ele, afinal, que está acima de todos nós. Mas creio que é melhor ficar e pedir-lhe desculpas do que voltar para a Calormânia.

- No seu caso, estou de acordo - respondeu Bri. - Você não está desgraçada, mas eu perdi tudo.

-Meu bom cavalo - disse o eremita, que se aproximara sem ser notado, pois seus pés descalços nem chegavam a fazer barulho sobre o relvado. - Meu bom cavalo, você não perdeu nada, a não ser a sua auto-estima. Que é isso, meu primo? Não afaste de mim as orelhas. Se você de fato é tão humilde como falava há um minuto, tem de saber ouvir. Você não é propriamente o grande cavalo que pensava ser, por estar vivendo entre infelizes cavalos mudos. É claro que era mais valente e mais inteligente do que os outros. Mas você não podia ser de outra forma. Isso não significa que será alguém especial em Nárnia. Mas, enquanto souber que não é ninguém em especial, será um cavalo muito honrado. E agora, se você e minha prima quadrúpede me acompanharem até a porta da cozinha, iremos providenciar-lhes mais um pouco de mingau de farelo.

As Crônicas de Nárnia, O Cavalo e Seu Menino

Nárnia é longe


"A trote, a passo, rã-rã-rã dos couros, tlim-tlim-tlim dos cabrestos, cheiro de cavalo, cheiro de si mesmo, calor, ofuscamento, dor de cabeça - eis o que era, e sempre a mesma coisa, quilômetro após quilômetro. E Tashbaan sempre lá, no mesmo lugar, nunca mais longe, e as montanhas à frente sempre no mesmo lugar, nunca mais perto. Não acabava mais, rã-rã-rã, tlim-tlim-tlim, cheiro de cavalo, cheiro de gente."

As Crônicas de Nárnia, O Cavalo e Seu Menino.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Shasta ignorava como os narnianos procedem


"Jogando a cabeça de novo contra as almofadas, Shasta ficou pensando na encrenca em que se metera. Jamais lhe ocorria contar para os narnianos a verdade toda e pedir auxílio. Tendo sido criado por um homem duro, enraizara-se no hábito de nunca dizer nada espontaneamente para as pessoas adultas: achava que estas sempre atrapalhavam o que esteva desejando. E pensava que mesmo que o rei de Nárnia tratasse bem os cavalos, por serem cavalos falantes de Nárnia, teria ódio de Aravis, que era uma calormana; poderia vendê-la como escrava ou enviá-la de volta aos pais. Quanto a ele, jamais teria agora a coragem de confessar-lhes a verdade: "Ouvi todos os planos. Se soubessem que não sou um deles, não me deixariam sair vivo desta casa. Teriam medo da minha traição. É claro que me matariam. E é o que vai acontecer se o verdadeiro Corin reaparecer." Shasta ignorava como as pessoas nobres e livres procedem."

As Crônicas de Nárnia, O Cavalo e seu Menino.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Relendo Thomas Merton e reaprendendo verdades essenciais


Como se pode perceber pelas recentes postagens neste blog, e também no do Anjos, tenho retomado a leitura do Sementes de Contemplação, do Thomas Merton. Este livro, pra mim, foi um marco; ele que me introduziu nos horizontes mais largos da literatura e da espiritualidade monástica. Dizendo assim, parece que se trata de algo muito restrito, mas não. Eu diria, então, que o livro mostra dimensões mais profundas, mais simples e mais claras - se bem que o símbolo das trevas seja corrente - da vida espiritual.

Relendo-o, agora, tenho notado muita coisa. Da primeira vez que o li, o livro foi realmente impactante, mas eu não fazia idéia de que era tão bom. O Thomas Merton, depois de uma fase de desilusão da minha parte, subiu novamente no meu conceito, pelo menos com relação a estes escritos um pouco mais antigos dele.

Paralelo a isto, estive lendo o livro dele entitulado Zen e as Aves de Rapina e, aí, embora se trate de uma exposição do zen como prática supra-cultural, não necessariamente vinculada ao budismo, o Thomas Merton parece afoito demais em defender aqueles princípios, às vezes, no mínimo estranhos e contraditórios. A defesa que se dá ali, e que não deixa de ser confortável, é que a compreensão do que seja o zen deve ser pré-racional, uma coisa bastante intuitiva, quase ao modo da abstenção de juízo da fenomenologia do Russerl.

Neste livro, o Thomas Merton parece simpático demais a teorias como, por exemplo, a de Mestre Eckhart que, como sabemos, foi uma doutrina problemática embora, óbvio, não possamos a criticar de todo. Estas condenações de conjunto geralmente se dão por parte de quem não se deu ao trabalho de ler sequer uma página do autor. Embora dêem a aparência de uma atitude consequente da análise, em geral são produto de uma credulidade ingênua na opinião de um outro comentador.

Ainda assim, eu, particularmente, considero este último livro problemático. Não o considero um livro fácil, mas posso adiantar que há problemas nele. Ainda não o terminei.

Mas, voltando ao Sementes de Contemplação, que riqueza, que profundidade! Isto só me mostra como a fidelidade às fontes cristãs, não com abstração birrenta de todo o resto, é suficiente para se alcançar grandes profundidades. Este livro acentua, ainda, a mística sanjuanista, da qual sou adepto de carteirinha, visto que tenho S. João da Cruz como um pai.

Mas basta dizer que o livro está me mostrando coisas muito interessantes; retirando alguns equívocos, reforçando aspectos essenciais de que não devo me esquivar. Recomendo-o vivamente. 

O problema é que, dentre estes livros, alguns são relativamente raros. Sei que há uma circulação bem maior do livro entitulado "Novas Sementes de Contemplação" do mesmo autor. Mas nunca cheguei a ler este, pelo que nada posso afirmar sobre ele. Mas fica a dica.

Vez ou outra, manterei fazendo algumas transcrições do livro neste blog ou no outro. É de uma riqueza imensa.

Fábio