Quem for estudar as origens do Cristianismo, verá que a natureza dele é totalmente distinta do discurso romântico moderno. Abandonou-se a ênfase metafísica e erigiu-se em seu lugar o reino do subjetivismo. O cristianismo em muitos lugares está irreconhecível. Não à toa os cristãos ortodoxos se divertem com os católicos romanos modernos... A nossa perda do senso legitimamente espiritual tem sido motivo de chacota, desperdício de tempo e esterilidade espiritual. Reencontremos o tesouro escondido.. ele é muito diferente dessa bijuteria que temos ostentado com vão orgulho nestes dias. Enquanto vivermos no campo dos sentimentos e das sensações, não daremos com O caminho, pois estaremos restritos a nós mesmos, ocupados com nossa miséria...
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
O que a mística não é...
Se, hoje em dia, em pleno século XXI, era da ciência e herdeira dos ideais iluministas, alguém ainda assim quiser ser um espiritual, como é que faz? É só querer? É nada... Queira o quanto possa, a coisa não vai só assim.. "Ah, mas eu escuto o Pe. Fábio de Melo e leio os livros do Augusto Cury.. não é suficiente?" Quê?! É mais fácil se tornar um espiritual assistindo anime japonês do que por aí...
Interessante que, hoje em dia, esse é o tipo de afirmação que causa revolta nalguns pretensos elevados. Esse é o tempo em que nada pode ser dito com clareza; tudo tem de fazer parte de uma sopa de ingredientes indefinidos.. é suficiente que cheire bem. A sensibilidade foi elevada ao critério de verdade. No mundo moderno, há um grande repúdio pela clareza. Uma coisa clara é uma coisa definida, isto é, é algo que é de um modo e não é de outro. Portanto, não convém fazer afirmações claras, porque isto fere susceptibilidades alheias. Ser bom, hoje, é respeitar todas as idéias, correntes, ideologias, etc, etc. Quem pensa assim, vive numa espécie de contínua ebriedade; ela não tem noção clara de nada; apenas tem idéias nubladas, fragmentadas e erige sempre como critério a própria simpatia. Foi simpático a uma idéia? A idéia é boa. A idéia não agradou? É ruim. São incapazes de fazer a pergunta: mas porque tal coisa me causa simpatia ou antipatia? E o bêbado vai caminhando, escutando Pe. Fábio de Melo e lendo Augusto Cury, projetando um deus da sua simpatia, dormindo no conforto das próprias suposições e vendo com maus olhos qualquer um que ouse definir bem as coisas, separando a luz das trevas.
Nós vivemos num tempo humanista. Os maiores valores são aqueles que promovem o bem estar. Estar em paz com Deus virou sinônimo de estar tranquilo e agradável. Misteriosamente, se crê que Deus obedece real e servilmente os movimentos inconstantes da alma. Oh que sacro e inconcusso vínculo este da alma com Deus que a permite reconhecer imediatamente em si a atual disposição divina para consigo.. E como o sabe? O sabe pela sensibilidade.. está a se sentir bem, foi à Missa e se sentiu tocada... que maior garantia de que Deus a observa do alto com um sorriso largo no rosto e quase que se segura para não dizer-lhe: "eis o meu filho bem amado..."?
Religião serve para quê? "Ora, é para promover o bem estar!", dizem.. C.S. Lewis diz que uma garrafa de cachaça cumpriria melhor esse papel. Não à toa ela tem se convertido num novo ídolo. Mas, se é o bem estar o valor supremo, então vamos fazer uma religião à nossa imagem e semelhança, à altura do homem; importa que seja criação nossa, um novo bezerro de ouro, e o chamaremos de Deus, ou de Jesus, ou do que quer que seja. Apenas não aceitaremos que alguém de fora nos ensine; não aceitaremos aprender; não aceitaremos que as coisas já sejam de antemão... Não aceitaremos que alguma pretensa deidade venha nos dizer "Eu sou", porque, na verdade, "nós é que somos". Partimos do pressuposto de que, desde sempre, nós conhecemos a natureza deste negócio e ele é assim como dizemos que é. Se alguém não se sente bem, a gente adapta.. Toca aquela música lá.. põe essa ênfase aqui.. diz aquela frasesinha tola e clichê que provoca arrepios.. diz que ele vai ser acolhido no céu de todo jeito... Penitência? Mortificação? Ora, deixemos de medievalidades.. Naqueles tempos obscuros, o povo aceitava uma religião pretensamente ensinada pelo próprio Deus. Hoje, em pleno século XXI, a gente sabe que não é bem assim. Tudo é simbólico e, em última instância, somos nós que interpretamos os símbolos.
Já não se observa mais que a verdade existe e é objetiva. Não se observa mais que o bem existe e é objetivo. Tudo pode ser distorcido, puxado de um lado, estendido de outro, segundo a divindade do nosso próprio conforto. Um Deus numa cruz? Que coisa medonha! Tira daí.. Põe a cruz vazia, ou então, põe Ele sem a cruz... Cruz pra quê? Importa que a gente se ame...
E o amor fica raso... e ninguém sabe exatamente o que é o amor.. E as pessoas acreditam que amar é dissimular, ter respeitos humanos, onde a regra suprema é não incomodar o outro. Tornam-se cúmplices silenciosos de crimes e pecados mútuos, e se sorriem, e se vão empurrando e crendo que, pelo fato de não haver atrito, estão a atingir o sumo grau da caridade.
Ai, Deus.. Quem ensinou o homem a ser tão tolo? Nada disso é mística. Nada disso é caridade. Nada disso é espiritualidade. Nada disso é cristianismo... Não vai nem perto. Não avista nem de longe.
Em qualquer lugar em que, na terra, houver alguém confortável, pode-se acreditar que o cristianismo ali não foi aceito. Como dizia Gustavo Corção, "é terrível a seriedade do cristianismo".
O humanismo é tolo, é fragmentário, é falso, é satânico: "sereis como deuses". O homem só encontra a sua dignidade quando se abre à severa objetividade daquele Outro. Enquanto não O aceita tal qual é, prosseguirá na sua brincadeira medíocre de se auto-projetar, só mais um jeito confortável de acreditar ser, ele mesmo, seu próprio deus. A serpente do Éden é a verdadeira rainha deste mundo... e um dos seus maiores divertimentos é compor discursos pseudo-católicos. Mas como dizia Nosso Senhor: "quem tiver olhos, que veja!", pois eu não vos fiz cegos.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A Insinceridade com Deus é uma Blasfêmia
A verdadeira razão por que tão poucos acreditam em Deus é que cessaram de crer que um Deus pode amá-los. Mas o seu desespero é, talvez, mais respeitável do que a insinceridade de quantos julgam poder burlar a Deus, para que Ele os ame pelo que não são. Essa forma de dobrez é bem comum entre os que se dizem "crentes", e se apegam conscientemente à esperança de um Deus aplacado pela oração, que suporta o seu egoísmo e insinceridade, e os ajudará a realizar seus fins interesseiros. A adoração que prestam vale-lhes pouco, e não honra a Deus. Não se limitam a considerá-lo como um rival em potência (e, por conseguinte, se põem em pé de igualdade com Ele), mas ainda O pensam bastante vil para fazer com eles um arranjo clandestino, o que é uma grande blasfêmia.
Thomas Merton, Homem Algum é Uma Ilha.
Thomas Merton, Homem Algum é Uma Ilha.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
"Por que é mais forte quem sabe mentir..." Não é.. só parece...
Não precisamos ser falsos com nós mesmos. Aliás, não devemos. Se é a verdade que liberta, importa abandonar a mentira, ainda quando, à primeira vista, ela indique uma espécie de proteção. Acontece que enquanto alguém se protege freneticamente, isto também o impede de se lançar de verdade em qualquer coisa. Um covarde passa a vida paralisado. É por isso que Jesus diz: "quem perder a sua vida, vai ganhá-la". Dar o passo! Há tanto egoísmo envolvido nessa covardia - e já tratei bastante disso - que não o quero pormenorizar aqui.
Por vezes, queremos expectadores de cada ato nosso, construindo um tipo de draminha da nossa existência, onde a gente possa garantir que ganhará alguns aplausos. Isso parece nos dar uma motivação extra para fazer as coisas. E tão logo encontramos a platéia, no meio dos nossos amigos, familiares ou quem seja, iniciamos também os showzinhos, os exageros, as demonstrações de força. Mas, sobretudo, é importante fazer barulho. Não se pode correr o risco de não sermos notados! Cada boa decisão, cada virtude posta em prática, tem de causar uma admiração de alguém. E nesse processo, choramos e rimos e fazemos caras de herói e trejeitos de artista.
Só que isso tudo não passa de uma palhaçada! Enquanto vamos crentes de causar admiração, a única resposta que causamos é um riso de diversão pela nossa trágica falta de senso. Se um sujeito passa a vida assim, talvez adquira o conforto de se imaginar uma espécime rara dentre os humanos, muito embora tenha vivido, na verdade, como um bobo. Enquanto se pensava tão sincero, suas intenções estavam atentas nas reações que causava nos outros, ou nas recompensas que podia adquirir pelo seu teatro. E inverte tudo: dificulta o que é fácil, e facilita o que é difícil, mas isto só aparentemente. Se lhes é pedido para erguer uma formiga, farão todo tipo de caretas no processo de levantamento e se certificarão de cair pelo menos umas três vezes a fim de intensificar o ato heróico final do soerguimento histórico. Se lhes pedem para correr a São Silvestre, a vaidade não lhe permitirá desistir no meio do processo e, embora cansado, quase tendo um ataque cardíaco, passará em frente à câmera com o rosto tranquilíssimo, ostentando um preparo que ele não tem. "Vaidade das vaidades", diz o Eclesiastes. E, no final, o sujeito estará seguro de que fez algo grandioso. Realmente: uma imbecilidade monumental.
É por isso que eu gosto tanto dos santos. Eles foram totalmente o oposto disso. Quem quer que conheça um santo a partir dele mesmo ou mesmo de outro, mas de uma forma profunda, verá que estas coisas vão sendo gradativamente abandonadas por eles. S. Josemaria dizia que os biógrafos dos santos são seus traidores, pois os santos nunca pretenderam ser muito conhecidos. Lembro-me de S. Pio de Pietrelcina que, quando recebera os estigmas, chorava copiosamente e dizia: "quero morrer com dor, sim! Mas anônimo..." Lembro-me de S. João da Cruz que pedia diariamente para morrer desprezado e, no final da vida, tendo de escolher entre dois mosteiros a ficar, escolheu o que por certo o maltratariam ao invés do outro em que seria aclamado. Lembro-me de S. Francisco de Assis e seus retiros prolongados no Alverne onde, sem expectadores, ele se dava aos maiores rigores. E tantos e tantos outros santos que se tornavam amigos de Cristo justamente porque abandonavam esta busca frenética e neurótica por vaidades e por reconhecimentos. A "Perfeita Alegria" de Francisco é justamente isto: ser desprezado, ser vilipendiado, ser maltratado e ver que isso não causa nenhuma repercussão interior, nenhuma revolta, nenhum coitadismo, nem nenhum senso de heroísmo, nenhuma encenação, nenhuma estratégia artística.
Que Nosso Senhor nos liberte da nossa pequenez disfarçada de grandeza. De um monte de fezes pode-se imitar uma montanha. Que Deus nos livre da encenação barata que, como se não bastasse ser perda de tempo, nos impede de ser quem somos e nos ameaça de perder a eternidade.
Que a Virgem nos conduza.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A religiosa medíocre
"O estado de uma religiosa medíocre me parece mais lamentável do que o de um malfeitor. O malfeitor pode converter-se e nasce pela segunda vez. A religiosa medíocre não poderá renascer. Nasceu e perdeu o nascimento. Salvo um milagre, será sempre um aborto"
Diálogo das Carmelitas.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Ignorância como máscara e desculpa
Uma das maiores hipocrisias que já vi consiste em utilizar a própria ignorância e indiferença como sinal de sinceridade e justeza de caráter. Mas é justamente o contrário. Há sujeitos que denunciam a "vaidade de ter certezas", a inadimissível pretensão de defender uma moral absoluta e que, não obstante, sob as aparências de tolerância e humildade, tentam dar a impressão de serem mais esclarecidos, no fundo. Vê-se isso quando estes sujeitos demonstram crer absolutamente nas próprias interpretações a respeito dos homens e do mundo.
Este tipo de filosofia de meia tigela geralmente surge depois de um processo meio demorado de mediocridade moral e do que alguns filósofos chamam "escotoma" que consiste num orgulho pessoal que prefere não aderir a nada, ainda que algo seja totalmente digno de crédito, a fim de satisfazer o próprio orgulho que certamente sofreria se se admitisse que a razão está do outro lado.
Coisa mais nauseante é ver os lamentos desses uns, e notar o prazer que sentem por baixo das próprias exteriorizações de aparente pesar, rs. Se se queixam de não saber, poderiam se convencer a estudar seriamente o objeto de sua ignorância ao invés de desacreditar gratuita e desonestamente, atitude que serve somente de estratégia para manutenção do próprio orgulho e como pretexto para continuar com a indiferença nada corajosa.
"Imparcialidade é um nome pomposo para indiferença, que é um nome elegante para ignorância" Chesterton.
"Ai daqueles que às trevas chamam luz, e à luz, chamam trevas". (Is 5,20)
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Que triste é...
Muito triste quando, no único dia da semana que se diz ter confissão, não há padres para confessar...
E o padre, depois, ainda me pergunta se eu que o abandonei... rs
Oh Deus...
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O rubor de Zaqueu no Céu, se ele foi pra lá...
O que fazer quando o padre pede pra se cantar "Como Zaqueu"? Coitado do Zaqueu.. Por causa desta música, muitos há que jão não querem nem ouvir o nome do inocente...
Eu falei ao padre que não sabíamos cantar aquilo...Na verdade, eu não disse estritamente a verdade. Não costumo cantar a moda, é óbvio. Mas a linha melódica dela é medíocre e, por certo, não haveria qualquer dificuldade para uma execução de improviso. Mas foi a saída que encontrei. Ele costuma puxar estas cantigas e os músicos que se virem pra acompanhar e pegar tom..rs...
Fiquei preocupado. Uma simples ocasião dessas e lá se vão por água abaixo todas as tentativas de inculcar nos músicos que não se pode cantar música protestante na Santa Missa. Como se não bastasse, ainda me pedem pra ignorar a fórmula do Ato Penitencial e cantar outra música lá que fala de misericórdia...
Creio que eu não escondi o rubor da face, nem o constrangimento. Nestas horas, penso mesmo em viajar e ir a um lugar onde as pessoas já estejam adaptadas a uma liturgia mais correta. Ah, estes tradicionais mundo a fora que podem, quando quiserem, assistir à Santa Missa no rito tridentino...
Se Zaque foi para o céu, imagino que ainda hoje viva em cima das árvores, com vergonha e cante a Nosso Senhor algo do tipo:
Mil perdões, Senhor, porque
Hoje em dia a musiquinha
Que me leva o nome tem
Bagunçado a Liturgia...
Aiai...
Por sua vez, canta o outro..
Entrei na Sua casa,
Tô até na Santa Missa
E o que era Sacrifício
Fica quase uma festinha...
Povo diz que é o mesmo Deus
Que não tem problema não
Já nem sabem o que é a Missa
É tudo sem noção...
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Assembléia Arquidiocesana em Maceió
Nos últimos dias 20 e 21 deste mês, estive em Maceió, no colégio Marista, próximo ao Seminário Nossa Senhora dos Prazeres, por ocasião da Assembléia Arquidiocesana para a primeira avaliação do Projeto de Evangelização 2009-2012.
Contamos, nesta ocasião, com a presença do senhor bispo Dom Antônio Muniz, juntamente com diversos sacerdotes responsáveis pelas diversas paróquias distribuídas pelo território alagoano. Também estavam presentes coordenadores e representantes de vários movimentos e pastorais.
A coisa lá andou meio esquisita. Embora se falasse de Fé, de Igreja, de Deus, a impressão é que o assunto era abordado apenas em pontos periféricos, acidentais, superficiais. Não se foi ao centro da questão. Falou-se de santidade, mas não se explicou o que isso significava. Talvez se assumiu como pressuposto que todos deveriam saber do que se tratava. Os discursos começavam a pender sempre mais para o lado social, o que a princípio não é um mal, desde que se ponha isto no seu devido lugar. Mesmo o Concílio Vaticano II, que certos sofistas afirmam defender integralmente, ainda que à sua maneira, afirma claramente que a ação se submete à contemplação....
Algo, porém, que achei interessante foi ver que o ecumenismo, entendido como sincretismo, ainda não adentrou naquele ambiente. Ouvi sérias críticas a personalidades protestantes, tais como RR Soares, Silas Malafaia, e outros gurus midiáticos que andam a celebrar as sessões de "descarrego" dos bolsos dos incautos. Outro movimento também, seriamente espetado, foi a RCC, a partir de uma alusão claríssima à prática do "Repouso no Espírito", comum a este grupo. Importante ressaltar que lá estavam carismáticos, inclusive membros de Comunidades de Vida.
Um outro ponto interessante aconteceu já próximo ao final do evento; um membro da "Pastoral da Terra", movimento particularmente afeto à ideologia comunista e que traz a fama de baderneiro, pôs-se a solicitar que a Igreja de Maceió providenciasse uma séria formação dentro da Doutrina Social da Igreja. Recomendava ele que se contratasse algum perito nesta área e que pudesse passar o assunto de forma acessível. Não sei se o rapaz sabe, mas a diferença entre a Doutrina Social da Igreja e a ideologia marxista é gritante...
Sinto dizer que os pontos positivos terminam assim. Poderia também citar a disponibilidade de todas aquelas pessoas, mas isto se daria de uma forma ou de outra. Muitos ali, creio, são sinceros, mas ainda não têm uma formação sistemática sobre a crise da Igreja e sobre certas nocividades que a ferem por dentro.
A citação de Dom Helder Câmara era constante. Lá se encontravam cds e livros sobre o dito "bispo da paz". Até mesmo um video contendo uma mensagem com a sua voz, na qual ele chama Nossa Senhora pelo estranho nome de "Mariama", fez-se ouvir no auditório onde estávamos reunidos.
A saudação do "Axé" também apareceu pelo menos umas duas vezes, acompanhada de uma breve crítica do bispo aos que se desagradam destes termos, onde ele afirmava que a terminologia deve se adaptar. Fazia referência também ao termo "Deus mãe". Além destas, outras expressões de cunho africano, até pela data em que ocorria o encontro, estiveram presentes em algumas músicas, dentre as quais posso citar a "negro nabor" ou algo assim, que particularmente não sei do que se trata.
No domingo, pela manhã, houve Santa Missa. As músicas eram cantadas no ritmo do forró, numa tentativa desastrada de fazer inculturação, caindo, feiamente, num regionalismo, desprezando a determinação litúrgica, presente mesmo na Sacrosantum Concilium, que trata da universalidade das formas como requisito da verdadeira música litúrgica, sendo o canto gregoriano o exemplo perfeito desta prescrição.
Muito embora a letra do "Glória" fosse litúrgica, o que é raro acontecer, a do "Santo" não o foi. A do "Ato Penitencial", então, nem se fala. Mais triste ainda, porém, foi ver que no momento da Consagração, apenas cerca de 10% das pessoas alí presentes se ajoelharam, e os músicos sequer estavam voltados para o altar. Havemos de convir ainda que os que ali se faziam presentes se pretendiam pessoas "de caminhada"; muito estranho e triste.... Talvez me chamassem de formalista, de rubricista, mas não fui eu quem prescreveu o ato de ajoelhar-se neste momento santo, foi a Igreja. Também não fui eu quem disse que a adoração a Deus é um ato de todo o ser, inclusive também do corpo, foi o Santo Padre Bento XVI.
Outra coisa que me preocupou foi o material do Cálice. Não sei se vi direito, eu estava longe; mas parecia-me que era feito de vidro.. Fiquei na dúvida... Espero sinceramente que não, pois é outra determinação claríssima da Santa Igreja que os materiais destinados a conter o adorável Corpo e o adorável Sangue de Nosso Senhor sejam nobres, e isto é inegociável...
Houve ainda um diácono que vi a criticar o feliz hábito da confissão semanal. Falava indignado, que isto era brincar com o Sacramento, e não conversava com desavisados, mas com padres e leigos representantes de suas respectivas paróquias.
Enfim, pontos positivos, houve. Mas, parece que os pontos negativos se sobressaíram...
Lá estiveram muitos padres; nenhuma menção, porém, sobre a necessidade da confissão, sobre a realidade do pecado mortal, sobre a necessidade do estado de Graça, sobre a oração do terço. Ouvi, é verdade, uma breve recomendação da vida sacramental e outra mais enfática sobre a necessidade da oração, mas a coisa ficou por demais solta... Tenho saldades dos discursos a respeito das virtudes teologais, das virtudes cardeais, das práticas devocionais, dos gestos anagógicos.. coisa que só vejo nos livros e só escuto nas conversas com os amigos.
Mas talvez eu esperasse coisa até pior...
Só peço a Nosso Senhor que proteja a Sua Igreja de todo erro, e, humildemente, solicito a interceção de S. Pio X e de S. Pio de Pietrelcina, que tanto amaram a Igreja, para que, de fato, Deus prevaleça, já agora, contra os Seus inimigos.
Fábio.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Homilia Gnóstica??
Tenho, ultimamente, contado de algumas experiências desagradáveis que tenho tido com relação ao trato que certos católicos dão à liturgia e a algumas questões doutrinárias. Pois bem, aqui vai mais uma...
Ontem, graças a Deus, tivemos Santa Missa. O padre, que eu não conhecia, parecia simpático, mas falou algo estranhíssimo na homilia.
Discorrendo a respeito do mal, arriscou dizer algo deste tipo: “a Santa Igreja coloca o mal quase que à mesma altura de Deus. A diferença entre um e outro é que Deus nos ama” (???)
Obviamente, a Santa Igreja nunca disse tal coisa. Depois, o padre parece, aqui, conceber a existência de dois princípios opostos, substanciais, e de mesma força, apenas com uma diferença: o bem nos ama. Gnose? É... parece que sim.
Teria o padre convicção do que disse? Ou teria sido algum tipo de afirmação descuidada? Talvez os dois....rs...
Só fico a me perguntar: o que estão a aprender os religiosos e padres nos conventos e seminários?
Vejo uma semelhança entre isto e o que aconteceu na faculdade de filosofia que eu frequentava: assim como lá, onde se doutrina o Marxismo, puseram um ignorante (no verdadeiro sentido da palavra) pra ensinar Filosofia Medieval, com o intuito, talvez, de providenciar para que o conhecimento metafísico dos alunos fosse tão medíocre ao ponto de não perceberem qualquer problema no materialismo, assim também o discurso de certos padres, enquanto não mudar, não apresenta qualquer ameaça para o mundo e seus sofismas. Não é à toa, então, o abandono de Sto Tomás dos seminários, e sua substituição pelo ingênuo Descartes, como Léon Bloy o define, juntamente com outros pseudo-filósofos modernos. Não, realmente não é à toa. Se não há um sujeito humano desta ação (teoria que parece indefensável), há, ao menos, um personagem infernal por trás da mudança funesta. Trocar Filosofia por certos textinhos acadêmicos dá nisso. No fim, tem-se um diploma que, como diz o Olavo de Carvalho, mais não é que um atestado de ignorância que permite dizer abobrinhas com cara de esperto.
Aiai...
Fábio Luciano
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Quando o erro se torna obstinação
Artista moderno das liturgias modernas
Ontem à noite, não houve Santa Missa... Devido à morte da mãe do Pe. Francisco, este não compareceu; houve uma tentativa de contactar o padre Guimarães, de uma cidade vizinha, mas nada ficou certo. Houve "Celebração da Palavra".. O que ali se viu era algo realmente deplorável... A começar pelas músicas, dedicadas ao famoso Pe. Cícero que não pode ser cultuado. Ainda por cima, o ritmo dos cânticos lembrava qualquer batuque ou apresentação de uma banda de forró, não fosse a desafinação do vocalista. Havia até um baterista que "mandava ver" no seu discreto instrumento... Só pra se ter uma idéia, o "Cordeiro de Deus" foi cantado no ritmo da "Asa Branca" do Luiz Gonzaga... Não me admirarei se, dentro em pouco, Billie Jean, do falecido Michael Jackson, fôr o fundo musical da procissão de entrada.. Quem sabe até um acólito não arrisca entrar de costas, executando um perfeito "Moon walker"? Rs...
O único motivo pelo qual fiquei, foi porque pensei que, no meio daquelas profanações (tenho outros nomes praquilo, mas todos inconvenientes com o espaço sagrado onde se deram...), eu poderia ser um dos que estariam com Ele. Não O quis abandonar só às recreações infernais daqueles devassos... Mesmo quando não pode fazer nada, a presença de um amigo conforta; talvez seja pretensão minha a de supor que poderia, de alguma forma, diminuir os destratos ao Cristo, permanecendo com Ele, negando-me a fazer parte da "bagunça litúrgica" que ali acontecia. Mas... Fiquei... Minha possível pretensão era bem intencionada.
Antes de se iniciar o "martírio" da Liturgia, um amigo veio conversar comigo a respeito de certos costumes adotados por alguns católicos de hoje. No meio da conversa, falou-me de um rapaz, ao qual já dei formação, que afirmou discordar de certos ensinamentos da Igreja e criticou-lhe o caráter hierárquico. Nas formações que dou, há sempre o espaço para que se levantem questionamentos, dúvidas e objeções e, quando estas são postas, faço o possível por clarificá-las, de modo que os amigos terminam dizendo-se convencidos. Este, porém, pareceu obstinar-se no erro, mesmo diante dos argumentos apresentados. Baseava-se a sua obstinação num achismo pessoal. O seu contra-argumento sempre se iniciava com um "eu acho que"... Fato é que abandonou as aulas...
Não deixa de ser algo misterioso que alguém se arvore o direito de achar coisas a despeito do que a Igreja afirma. Uma coisa são as dúvidas sinceras, outra a permanência irracional no erro. Esta soberba luciferina e luterana parece animar muitos dos católicos hodiernos. Além disto, constata-se a total falta de objetividade, e esta soberba mesmíssima foi o que inspirou meio mundo de cismáticos e hereges. O orgulho humano realmente parece um poço sem fundo que desemboca, obviamente, no próprio salão central do inferno. Esta vaidade é a porta principal para que lá se chegue...
No caso deste rapaz, que muito estimo, na verdade, o que há não é uma ignorância, como a de muitos "romeiros" da referida celebração; o que há, nesta particularidade, é uma decisão livre pelo erro e, como diz S. Tiago, o que sabe fazer o bem e não o faz, peca.
Duas coisas a se vencer: o orgulho e a ignorância. Esta última é mais fácil de se tirar, mas há mesmo quem carregue as duas.
Realmente... tempos difíceis..
Fábio
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Que tempos tão estranhos os que vivemos...
Diariamente, aqui, do lado, constatamos os efeitos desta grande crise pela qual passa a Santa Igreja. E quantos vemos lutar contra ela? Ao contrário, o que noto nos semblantes é um sorriso cúmplice, uma obstinação em fazer do próprio jeito, em mudar as coisas, em apresentar o próprio "brilho", que mais não faz senão ofuscar.
Muitos neste processo agem como marionetes ingênuas, seguindo apenas a direção deste vendo escuro qual fumaça; mas outros há que, diante das manifestações de fé menos ortodoxas, quase soltam gritinhos de prazer. Gozam destas coisas como se fossem vitórias... mas vitórias contra quem? Saberão dizer?
Neste meio, como não entristecer-se? Como não experimentar aquilo que os exilados de Sião sentiam às margens do rio? Que estranho é ver os habitantes de nossa Pátria, todos acostumados ao exílio, ao ponto de quererem misturar as coisas... Que grotescas são recreações no Calvário, as palminhas, certas expressões usadas, ideologias vomitadas, todo tipo de profanações que, por seu caráter mais ou menos velado, alcançam a aprovação dos presentes.
Deus meu, até quando suportarás? Até quando assistirás estas zombarias quieto?
Se nós, que nem sabemos amar direito, nos entristecemos, o que não sentirás Tu, adorável Amor?
Eu gostaria de poder chorar...
Fábio.
Quando discutir é inútil
Nestes últimos dias, estive entranhado em algumas discussões doutrinárias, das quais pouco ou nenhum resultado se obteve. Conversava nestas ocasiões com alguns protestantes desaforados e outros carismáticos sentimentais que, passando ao largo dos argumentos usados, sabiam me ofender muito bem e julgar as minhas intenções como verdadeiros aprendizes do inferno... Que Deus os recompense tamanha generosidade.
É verdade que de uma boa discussão pode-se sair algo, mas isto quando as partes no mínimo se respeitam e se permitem expor os argumentos, centrando o diálogo no conteúdo destes mesmos argumentos. Método de covardes é, no entanto, distrair a conversa para as ofensas pessoais, dando a impressão, aos menos avisados, de que a ofensa gratuita é sinal de convicção.
Da retórica protestante que cheira a enxofre, livrai-nos Senhor;
Da retória carismática "ad hominem", livrai-nos Senhor.
Do sentimentalismo e sensacionalismo que entorpece a visão, livrai-nos Senhor.
Dos caricatos mal feitos dos carismas apostólicos, livrai-nos Senhor.
Que Deus ilumine as trevas de certos corações, para que se abram, senão à luz do Céu, ao menos a um mínimo de respeito e objetividade....
Que assim seja, amém.
Fábio.
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