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sexta-feira, 6 de julho de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Assembléia Arquidiocesana em Maceió
Nos últimos dias 20 e 21 deste mês, estive em Maceió, no colégio Marista, próximo ao Seminário Nossa Senhora dos Prazeres, por ocasião da Assembléia Arquidiocesana para a primeira avaliação do Projeto de Evangelização 2009-2012.
Contamos, nesta ocasião, com a presença do senhor bispo Dom Antônio Muniz, juntamente com diversos sacerdotes responsáveis pelas diversas paróquias distribuídas pelo território alagoano. Também estavam presentes coordenadores e representantes de vários movimentos e pastorais.
A coisa lá andou meio esquisita. Embora se falasse de Fé, de Igreja, de Deus, a impressão é que o assunto era abordado apenas em pontos periféricos, acidentais, superficiais. Não se foi ao centro da questão. Falou-se de santidade, mas não se explicou o que isso significava. Talvez se assumiu como pressuposto que todos deveriam saber do que se tratava. Os discursos começavam a pender sempre mais para o lado social, o que a princípio não é um mal, desde que se ponha isto no seu devido lugar. Mesmo o Concílio Vaticano II, que certos sofistas afirmam defender integralmente, ainda que à sua maneira, afirma claramente que a ação se submete à contemplação....
Algo, porém, que achei interessante foi ver que o ecumenismo, entendido como sincretismo, ainda não adentrou naquele ambiente. Ouvi sérias críticas a personalidades protestantes, tais como RR Soares, Silas Malafaia, e outros gurus midiáticos que andam a celebrar as sessões de "descarrego" dos bolsos dos incautos. Outro movimento também, seriamente espetado, foi a RCC, a partir de uma alusão claríssima à prática do "Repouso no Espírito", comum a este grupo. Importante ressaltar que lá estavam carismáticos, inclusive membros de Comunidades de Vida.
Um outro ponto interessante aconteceu já próximo ao final do evento; um membro da "Pastoral da Terra", movimento particularmente afeto à ideologia comunista e que traz a fama de baderneiro, pôs-se a solicitar que a Igreja de Maceió providenciasse uma séria formação dentro da Doutrina Social da Igreja. Recomendava ele que se contratasse algum perito nesta área e que pudesse passar o assunto de forma acessível. Não sei se o rapaz sabe, mas a diferença entre a Doutrina Social da Igreja e a ideologia marxista é gritante...
Sinto dizer que os pontos positivos terminam assim. Poderia também citar a disponibilidade de todas aquelas pessoas, mas isto se daria de uma forma ou de outra. Muitos ali, creio, são sinceros, mas ainda não têm uma formação sistemática sobre a crise da Igreja e sobre certas nocividades que a ferem por dentro.
A citação de Dom Helder Câmara era constante. Lá se encontravam cds e livros sobre o dito "bispo da paz". Até mesmo um video contendo uma mensagem com a sua voz, na qual ele chama Nossa Senhora pelo estranho nome de "Mariama", fez-se ouvir no auditório onde estávamos reunidos.
A saudação do "Axé" também apareceu pelo menos umas duas vezes, acompanhada de uma breve crítica do bispo aos que se desagradam destes termos, onde ele afirmava que a terminologia deve se adaptar. Fazia referência também ao termo "Deus mãe". Além destas, outras expressões de cunho africano, até pela data em que ocorria o encontro, estiveram presentes em algumas músicas, dentre as quais posso citar a "negro nabor" ou algo assim, que particularmente não sei do que se trata.
No domingo, pela manhã, houve Santa Missa. As músicas eram cantadas no ritmo do forró, numa tentativa desastrada de fazer inculturação, caindo, feiamente, num regionalismo, desprezando a determinação litúrgica, presente mesmo na Sacrosantum Concilium, que trata da universalidade das formas como requisito da verdadeira música litúrgica, sendo o canto gregoriano o exemplo perfeito desta prescrição.
Muito embora a letra do "Glória" fosse litúrgica, o que é raro acontecer, a do "Santo" não o foi. A do "Ato Penitencial", então, nem se fala. Mais triste ainda, porém, foi ver que no momento da Consagração, apenas cerca de 10% das pessoas alí presentes se ajoelharam, e os músicos sequer estavam voltados para o altar. Havemos de convir ainda que os que ali se faziam presentes se pretendiam pessoas "de caminhada"; muito estranho e triste.... Talvez me chamassem de formalista, de rubricista, mas não fui eu quem prescreveu o ato de ajoelhar-se neste momento santo, foi a Igreja. Também não fui eu quem disse que a adoração a Deus é um ato de todo o ser, inclusive também do corpo, foi o Santo Padre Bento XVI.
Outra coisa que me preocupou foi o material do Cálice. Não sei se vi direito, eu estava longe; mas parecia-me que era feito de vidro.. Fiquei na dúvida... Espero sinceramente que não, pois é outra determinação claríssima da Santa Igreja que os materiais destinados a conter o adorável Corpo e o adorável Sangue de Nosso Senhor sejam nobres, e isto é inegociável...
Houve ainda um diácono que vi a criticar o feliz hábito da confissão semanal. Falava indignado, que isto era brincar com o Sacramento, e não conversava com desavisados, mas com padres e leigos representantes de suas respectivas paróquias.
Enfim, pontos positivos, houve. Mas, parece que os pontos negativos se sobressaíram...
Lá estiveram muitos padres; nenhuma menção, porém, sobre a necessidade da confissão, sobre a realidade do pecado mortal, sobre a necessidade do estado de Graça, sobre a oração do terço. Ouvi, é verdade, uma breve recomendação da vida sacramental e outra mais enfática sobre a necessidade da oração, mas a coisa ficou por demais solta... Tenho saldades dos discursos a respeito das virtudes teologais, das virtudes cardeais, das práticas devocionais, dos gestos anagógicos.. coisa que só vejo nos livros e só escuto nas conversas com os amigos.
Mas talvez eu esperasse coisa até pior...
Só peço a Nosso Senhor que proteja a Sua Igreja de todo erro, e, humildemente, solicito a interceção de S. Pio X e de S. Pio de Pietrelcina, que tanto amaram a Igreja, para que, de fato, Deus prevaleça, já agora, contra os Seus inimigos.
Fábio.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Homilia Gnóstica??
Tenho, ultimamente, contado de algumas experiências desagradáveis que tenho tido com relação ao trato que certos católicos dão à liturgia e a algumas questões doutrinárias. Pois bem, aqui vai mais uma...
Ontem, graças a Deus, tivemos Santa Missa. O padre, que eu não conhecia, parecia simpático, mas falou algo estranhíssimo na homilia.
Discorrendo a respeito do mal, arriscou dizer algo deste tipo: “a Santa Igreja coloca o mal quase que à mesma altura de Deus. A diferença entre um e outro é que Deus nos ama” (???)
Obviamente, a Santa Igreja nunca disse tal coisa. Depois, o padre parece, aqui, conceber a existência de dois princípios opostos, substanciais, e de mesma força, apenas com uma diferença: o bem nos ama. Gnose? É... parece que sim.
Teria o padre convicção do que disse? Ou teria sido algum tipo de afirmação descuidada? Talvez os dois....rs...
Só fico a me perguntar: o que estão a aprender os religiosos e padres nos conventos e seminários?
Vejo uma semelhança entre isto e o que aconteceu na faculdade de filosofia que eu frequentava: assim como lá, onde se doutrina o Marxismo, puseram um ignorante (no verdadeiro sentido da palavra) pra ensinar Filosofia Medieval, com o intuito, talvez, de providenciar para que o conhecimento metafísico dos alunos fosse tão medíocre ao ponto de não perceberem qualquer problema no materialismo, assim também o discurso de certos padres, enquanto não mudar, não apresenta qualquer ameaça para o mundo e seus sofismas. Não é à toa, então, o abandono de Sto Tomás dos seminários, e sua substituição pelo ingênuo Descartes, como Léon Bloy o define, juntamente com outros pseudo-filósofos modernos. Não, realmente não é à toa. Se não há um sujeito humano desta ação (teoria que parece indefensável), há, ao menos, um personagem infernal por trás da mudança funesta. Trocar Filosofia por certos textinhos acadêmicos dá nisso. No fim, tem-se um diploma que, como diz o Olavo de Carvalho, mais não é que um atestado de ignorância que permite dizer abobrinhas com cara de esperto.
Aiai...
Fábio Luciano
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Quando o erro se torna obstinação
Artista moderno das liturgias modernas
Ontem à noite, não houve Santa Missa... Devido à morte da mãe do Pe. Francisco, este não compareceu; houve uma tentativa de contactar o padre Guimarães, de uma cidade vizinha, mas nada ficou certo. Houve "Celebração da Palavra".. O que ali se viu era algo realmente deplorável... A começar pelas músicas, dedicadas ao famoso Pe. Cícero que não pode ser cultuado. Ainda por cima, o ritmo dos cânticos lembrava qualquer batuque ou apresentação de uma banda de forró, não fosse a desafinação do vocalista. Havia até um baterista que "mandava ver" no seu discreto instrumento... Só pra se ter uma idéia, o "Cordeiro de Deus" foi cantado no ritmo da "Asa Branca" do Luiz Gonzaga... Não me admirarei se, dentro em pouco, Billie Jean, do falecido Michael Jackson, fôr o fundo musical da procissão de entrada.. Quem sabe até um acólito não arrisca entrar de costas, executando um perfeito "Moon walker"? Rs...
O único motivo pelo qual fiquei, foi porque pensei que, no meio daquelas profanações (tenho outros nomes praquilo, mas todos inconvenientes com o espaço sagrado onde se deram...), eu poderia ser um dos que estariam com Ele. Não O quis abandonar só às recreações infernais daqueles devassos... Mesmo quando não pode fazer nada, a presença de um amigo conforta; talvez seja pretensão minha a de supor que poderia, de alguma forma, diminuir os destratos ao Cristo, permanecendo com Ele, negando-me a fazer parte da "bagunça litúrgica" que ali acontecia. Mas... Fiquei... Minha possível pretensão era bem intencionada.
Antes de se iniciar o "martírio" da Liturgia, um amigo veio conversar comigo a respeito de certos costumes adotados por alguns católicos de hoje. No meio da conversa, falou-me de um rapaz, ao qual já dei formação, que afirmou discordar de certos ensinamentos da Igreja e criticou-lhe o caráter hierárquico. Nas formações que dou, há sempre o espaço para que se levantem questionamentos, dúvidas e objeções e, quando estas são postas, faço o possível por clarificá-las, de modo que os amigos terminam dizendo-se convencidos. Este, porém, pareceu obstinar-se no erro, mesmo diante dos argumentos apresentados. Baseava-se a sua obstinação num achismo pessoal. O seu contra-argumento sempre se iniciava com um "eu acho que"... Fato é que abandonou as aulas...
Não deixa de ser algo misterioso que alguém se arvore o direito de achar coisas a despeito do que a Igreja afirma. Uma coisa são as dúvidas sinceras, outra a permanência irracional no erro. Esta soberba luciferina e luterana parece animar muitos dos católicos hodiernos. Além disto, constata-se a total falta de objetividade, e esta soberba mesmíssima foi o que inspirou meio mundo de cismáticos e hereges. O orgulho humano realmente parece um poço sem fundo que desemboca, obviamente, no próprio salão central do inferno. Esta vaidade é a porta principal para que lá se chegue...
No caso deste rapaz, que muito estimo, na verdade, o que há não é uma ignorância, como a de muitos "romeiros" da referida celebração; o que há, nesta particularidade, é uma decisão livre pelo erro e, como diz S. Tiago, o que sabe fazer o bem e não o faz, peca.
Duas coisas a se vencer: o orgulho e a ignorância. Esta última é mais fácil de se tirar, mas há mesmo quem carregue as duas.
Realmente... tempos difíceis..
Fábio
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Que tempos tão estranhos os que vivemos...
Diariamente, aqui, do lado, constatamos os efeitos desta grande crise pela qual passa a Santa Igreja. E quantos vemos lutar contra ela? Ao contrário, o que noto nos semblantes é um sorriso cúmplice, uma obstinação em fazer do próprio jeito, em mudar as coisas, em apresentar o próprio "brilho", que mais não faz senão ofuscar.
Muitos neste processo agem como marionetes ingênuas, seguindo apenas a direção deste vendo escuro qual fumaça; mas outros há que, diante das manifestações de fé menos ortodoxas, quase soltam gritinhos de prazer. Gozam destas coisas como se fossem vitórias... mas vitórias contra quem? Saberão dizer?
Neste meio, como não entristecer-se? Como não experimentar aquilo que os exilados de Sião sentiam às margens do rio? Que estranho é ver os habitantes de nossa Pátria, todos acostumados ao exílio, ao ponto de quererem misturar as coisas... Que grotescas são recreações no Calvário, as palminhas, certas expressões usadas, ideologias vomitadas, todo tipo de profanações que, por seu caráter mais ou menos velado, alcançam a aprovação dos presentes.
Deus meu, até quando suportarás? Até quando assistirás estas zombarias quieto?
Se nós, que nem sabemos amar direito, nos entristecemos, o que não sentirás Tu, adorável Amor?
Eu gostaria de poder chorar...
Fábio.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Que terrível é este lugar!
Há cerca de 2000 anos, o povo judeu costumava, anualmente, subir a Jerusalém; esta viagem era motivo de grande alegria, pois estas pessoas sabiam que Jerusalém era a cidade de Deus, onde havia o Templo. Para lá chegar, eles não notavam as dificuldades ou a distância; ainda ao longe, quando somente avistavam a Cidade Santa, rompiam em cânticos e lágrimas pela graça de, mais uma vez, visitarem o lugar onde Deus estava.
Como expressão desta singular experiência, lemos nos Salmos: "Que alegria quando ouvi que me disseram: vamos subir à casa do Senhor! Eis que nossos pés já se detêm em vossas portas, ó Jerusalém! Jerusalém, cidade tão bem edificada, que forma um tão belo conjunto! Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor, segundo a lei de Israel, para celebrar o nome do Senhor. Lá se acham os tronos de Justiça, os assentos da casa de Davi. Pedi, vós todos, a paz de Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. Reine a paz em teus muros, e a tranquilidade em teus palácios. Por amor de meus irmãos e de meus amigos, pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade" (Sl 121,1-9).
Quando se sabe que Deus está, de forma particular, num determinado lugar, é grande a alegria de um servo Seu ao se perceber na Presença dELe. É o que acontece com Jacó que, ao acordar, vê que está em sólo sagrado. Dele diz a Escritura: "Jacó, despertando de seu sono, exclamou: 'Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!' E cheio de pavor, ajuntou: 'Quão terrível é este lugar! É nada menos que a casa de Deus; é aqui, a porta do Céu!'" (Gn 28,16-18)
Algo similar, mas ainda mais grandioso, acontece conosco hoje. Não obstante a sua terrível grandiosidade, aparece-nos como algo simples, discreto, como é característico do Filho de Deus em Sua adorável delicadeza. Esta experiência realiza-se de forma semelhante à de Elias que reconheceu a presença do Eterno na brisa suave, aparentemente tão comum (I Rs 19,11-13). Sim, diariamente podemos ir à casa de Deus e pormo-nos em Sua Presença; não somente como Moisés diante da Sarça Ardente, nem somente como Elias diante da brisa ligeira, nem ainda como Jacó. Nos é permitido muito mais! De fato, conosco se realiza o que Nosso Senhor dissera: "Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, pois eu vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não viram; e ouvir o que vós ouvis, e não ouviram" (Lc 10,23-24).
A nós é dado estar diante dEle como os Apóstolos estiveram.. como esteve João, reclinado em Seu coração. E, como agimos diante disto? Como Elias, que cobre o rosto? Como Moisés que tira as sandálias? Como os peregrinos de Jerusalém que ansiavam o ano inteiro para poder contemplar os muros do Templo? Como Jacó, tomado de pavor diante de Deus?
Quanta indiferença de nossa parte! Quanta frieza.. Quanto gelo!
Agimos, às vezes, como cegos que se obstinam na cegueira. Tratamos Nosso Senhor como uma coisa qualquer. Evitamos devotar-lhe o nosso tempo e, hipocritamente, ousamos cantar-lhe as maiores declarações de amor. Mas, "de Deus não se zomba!" (Gl 6,7).
Rezo pra que Nosso Senhor nos mostre que grandioso é estar com Ele e, ao mesmo tempo, como é profundo o seu amor e sua simplicidade de permitir-nos achegar ao seu seio.
"Buscai o Senhor, já que Ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto" (Is 55,6)
Quando se abrirem os nossos olhos, então, alegres, poderemos dizer: "Encontrei Aquele que meu coração ama. Segurei-o, e não o largarei" (Ct 3,4)
Fábio Luciano
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Rever a Deus
O filósofo francês e católico Léon Bloy testemunha, num de seus escritos, que algo que o emociona profundamente é a idéia de que um dia irá rever a Deus. Oh.. que esperança benfazeja! Se é a sede o que nos faz caminhar neste deserto, a promessa da Água que nos saciará move-nos violentamente e, num misterioso paradoxo, ao mesmo tempo em que dá-nos como que um antegozo daquele dia, também nos aviva a ferida da saudade.
No entanto, nosso bondoso Deus não quis esperar tanto para nos rever. Claro que, naquela futura ocasião, a visão será face a face e a saciedade será completa. Desde já, porém, dá-nos a graça de revê-Lo. "Eis que estou todos os dias convosco; podes rever-me quando quiseres"... "Buscai a Deus enquanto Ele se deixa encontrar"... Nosso Senhor se deixa ver e rever... Ah, se soubéssemos que dom maravilhoso é poder olhá-Lo enquanto reis e profetas ansiaram por esta experiência.
Daqui a pouco estarei indo à Santa Missa, e então, pela graça de Deus, me será dado rever, com os olhos da Fé, o amabilíssimo Jesus. Então, serei como que aceito aos pés da Sua cruz onde, quieto e recolhido, O olharei.
A Santa Missa é, já, o antegozo do Céu; é o Céu na terra... É, de fato, onde podemos rever a Deus, embora ainda pela Fé. Isto, no entanto, não diminui a Presença. Aprendamos a olhá-Lo, a amá-Lo, a estar com Ele.
S. João, no seu Evangelho, nos diz que o Filho repousava no seio do Pai; por esse motivo, o Filho, conhecendo o segredo do Pai, deu-Lhe a conhecer. Também o Apóstolo, na última Ceia, reclinava-se no peito de Jesus; não à toa o seu Evangelho é considerado o mais perfeito. É dessa intimidade com o Esposo que João dá a conhecer o mistério do Amado Senhor. Da mesma forma, além de revê-Lo, na Santa Missa podemos reclinar no Seu peito e, não apenas isso, podemos adentrar no Seu coração e adentrá-Lo no nosso.
Este "rever" a Jesus, estando muito além de uma experiência ótica, é a causa da verdadeira alegria, da verdadeira vida do Cristão. É neste abraço inefável que Cristo nos ressoa ao ouvido: "Que a minha alegria esteja em vós, e que a vossa alegria seja plena".
Fábio Luciano
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Silêncio amoroso
É triste ver como o ativismo adentrou mesmo dentro das igrejas, como o pragmatismo toma espaço e como os homens simplesmente fogem do silêncio e da quietude. A solidão virou sinônimo de mal nos tempos hodiernos. Tudo isto representa, de fato, uma grande inversão dos retos valores do espírito.
Por vezes, temos o Santíssimo exposto e basta que haja um microfone ou alguns livros devocionais para que se tenham garantidas duas horas de barulho ininterrupto. Aquilo a que chamam oração, por vezes, não passa de mera fuga, de esquiva. Simplesmente não há verdadeira entrega, porque nos mantemos apegados ao nosso jeito, às nossas opiniões, às nossas preferências. É preciso libertar-se disto!
"Retira as sandália", fica nu! "Não sabemos rezar nem pedir como convém" porque nos fiamos em nós mesmos, na nossa limitada compreensão das coisas. É preciso desnudarmo-nos e, na nossa pobreza, podermos sentar aos pés dEle, silenciosos, enquanto Ele, também silente, nos olha e nos sonda. "A linguagem que Deus mais entende é a do silêncio de amor" escreve o doutor da noite. E este silêncio se faz presente não simplesmente quando nos abrimos à vontade dEle, o que caracteriza a atitude amorosa; mas, também, quando, desejosos de O louvar e adorar, reconhecemos a baixeza dos nossos termos e compreendemos que, se o quiséssemos louvar com nossas palavras, antes teríamos de reduzi-Lo ao nível pobre dos nossos conceitos. Diante do inefável, calamos e o nosso silêncio se torna a mais linda canção de amor. É o que os místicos chamam canção silenciosa ou solidão sonora.
Não se trata aqui de negar a eficácia da oração vocal. Ao contrário, reconheço mesmo a sua necessidade. Mas é preciso aprofundar as coisas. Sempre que louvamos a Deus de forma conceitual, nos utilizamos de termos que a Ele se atribuem apenas de forma analógica. Deus está para além deles. E não apenas nisto, mas também nas supostas experiências espirituais pelas quais pode um cristão passar. Estaria enganado quem, ao sentir um raio solar sobre a pele, supusesse já conhecer o ardor do sol.
É preciso pobreza e amor! Quando somos pobres, percebemos o abismo que é Deus e, diante disto, calamos! Quando amamos, percebemos que isto está além das palavras e, então, calamos. Sobretudo, quem ama quer imitar, como escreveu S. Pedro Julião Eymard. Ao contemplá-Lo no Santíssimo Sacramento, percebemo-Lo quieto e escondido. É então que, amando-O, O imitamos e descobrimos estas verdades veladas, estas pérolas escondidas.. Deus é simples e grande amigo do escondimento, do silêncio e da solidão. No momento em que encontramos algo escondido, nos tornamos, também, neste momento, escondidos. É então que Ele nos leva aos Seus aposentos e nos dá de beber da sua adega.
"Levarei a alma ao deserto e, lá, a desposarei" (Os 2, 16)
Fábio Luciano
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Como um abismo
Na Santa Missa, é certo que nos reunimos e que entramos também em comunhão fraterna. Mas isto está longe de ser a sua substância, o seu caráter principal. Muito antes disso, a Santa Missa é o Sacrifício de Nosso Senhor no Calvário, perpetuado no Altar.
Por vezes, vemos ou fazemos a experiência de, estando reunidos num determinado local, sermos surpreendidos por um evento súbito que, ao tomar a nossa atenção, faz-nos voltarmos todos a uma mesma direção e como que esquecer as demais pessoas e aquilo de que tratávamos.
Ora, na Santa Missa, embora não vejamos com os olhos físicos, acontece o evento mais importante de todos: a Morte do Deus-Homem para a nossa Salvação. Somente o fato de saber disto, deveria nos tomar de tal forma que todos os demais que conosco partilham daquela singularíssima experiência como que sumissem da nossa vista.
Os nossos sentidos, porém, nada captam do Mistério "apontado" pelos sinais. A aparente ordinariedade dos eventos que lá se dão parecem em nada nos satisfazer a curiosidade. Por isto mesmo, a correta atitude na Santa Missa deve ser algo aprendido e exercitado. Ver com os olhos da Fé requer hábito e a disciplina de saber estar diante da Cruz, mesmo que não a vejamos, é fruto da vontade submissa ao Mistério.
Embora realmente estejamos próximos uns dos outros, na Santa Missa deveríamos cavar uma espécie de abismo entre nós, de modo que nada nos tirasse a atenção e que pudéssemos contemplar a violência infinita daquele amor que sobre nós é investido de forma individual. Sim, Aquele que morre por nós, conhece o nosso nome e ocupa-se de nós. No Santo Sacrifício da Missa, quisera ser só dEle e estar como que só, aos pés da Sua Cruz.
É esta a solidão bendita! É isto o que desejam os amantes do Cordeiro: entrar nos Seus aposentos e unir-se a Ele. Aqui não se trata de nenhum individualismo ou qualquer tipo de ciúmes do Cristo. Mas, antes, é o legítimo reconhecimento de que a santidade, o amor a Deus, é sempre algo pessoal, ainda que façamos parte da Cidade dos eleitos, a Santa Igreja Católica. De forma alguma quero excluir o amor fraterno. Nem cogito isso... Mas é preciso resguardar aquela solidão que nos permite a intimidade com Ele que nos vê em segredo e nos ama no silêncio e escondimento da nossa alma.
Sim.. os santos são sempre solitários, e isto não necessariamente porque se afastam dos outros, mas porque guardam o coração para Um só.
"Oh quão doce e amoroso despertas em meu seio onde só Tu secretamente moras. Neste aspirar gostoso, de bens e glória cheio, quão delicadamente me enamoras" (S. João da Cruz, Chama Viva de Amor)
Que Deus nos ensine o abismo da solidão enamorada.
Fábio Luciano
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