quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A necessidade da contemplação



"Creio na influência de homens silenciosos e irradiantes e digo a mim mesmo que estes homens são raros. Entretanto, eles dão sabor ao mundo... Nada estará perdido enquanto homens como esses continuarem a existir. Se há algo que devemos desejar em nossos dias, é que possamos ver em nós mesmos os inícios da contemplação."

Marius Grout


"A religião tem sempre tendência a perder sua consistência interior e a fé sobrenatural quando lhe falta o fervor da contemplação. É o elemento silencioso, vazio e aparentemente "inútil" na vida de oração, que a torna verdadeiramente uma vida"

Thomas Merton

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Autocomplacência - Sinal de Estagnação Espiritual



"Quantas vezes o guia espiritual, ouvindo almas religiosas aparentemente admiráveis, se entristece e fica atônito pelo sentimento de que diante dele se encontra um muro de auto-suficiência, vaidade e inconsciente auto-satisfação, reforçado de "frases feitas" banais, plagiadas de piedosos autores, muro inteiramente preparado a resistir a toda e qualquer penetração da humildade e da verdade. Seu coração se contrai, é tomado por um sentimento de inutilidade da coisa, de que não há jeito de destruir essa armadura e libertar a verdadeira pessoa enterrada e presa debaixo dessa falsa fachada. A autocomplacência habitual é quase sempre um sinal de estagnação espiritual. Os complacentes não experimentam nenhuma necessidade urgente do auxílio de Deus, não têm consciência real da sua indigência. A meditação desses é confortável, reconfortante e inconcludente. Sua oração mental degenera rapidamente em distrações, castelos no ar ou sono indisfarçado. Por essa razão, as provações e tentações podem ser uma verdadeira bênção na vida de oração. Simplesmente porque nos forçam a orar. Quando começamos a descobrir a necessidade que temos de Deus, é que aprendemos pela primeira vez como, realmente, meditar."

Thomas Merton, Direção Espiritual e Meditação

sábado, 1 de dezembro de 2012

Renúncia



Chora de manso e no íntimo... procura 
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia: 
O mundo é sem piedade e até riria 
Da tua inconsolável amargura. 

Só a dor enobrece e é grande e é pura. 
Aprende a amá-la que a amarás um dia. 
Então ela será tua alegria, 
E será ela só tua ventura... 

A vida é vã como a sombra que passa 
Sofre sereno e de alma sobranceira 
Sem um grito sequer tua desgraça. 

Encerra em ti tua tristeza inteira 
E pede humildemente a Deus que a faça 
Tua doce e constante companheira...

Manuel Bandeira

domingo, 11 de novembro de 2012

Nós queremos o que Ele quer - Georges Bernanos


Nós queremos realmente o que Ele quer, queremos verdadeiramente, sem o saber, as dores, os sofrimentos, a solidão, embora imaginemos querer só os prazeres. Imaginamos temer a morte e fugir dela, quando na realidade queremos esta morte como Ele quis a Sua. Assim como Ele Se sacrifica em cada altar onde se celebra a Missa, Ele recomeça a morrer em cada homem em agonia. Queremos tudo o que Ele quer, mas não sabemos que o queremos, nós não nos conhecemos, o pecado faz-nos viver à superfície de nós mesmos, só voltaremos a nós para morrer, e é ali que Ele nos aguarda.

Georges Bernanos, Tunísia, 1948

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Symphonia Virginium


“Ó amante cheio de doçura, de dóceis abraços, ajuda-nos a conservar nossa virgindade. Fomos formadas do pó, ai!, ai!, e no crime de Adão. Bem duro é contradizer o gosto que o fruto tem. Dá-nos coragem, ó Cristo, Salvador. Nós desejamos ardentemente seguir-te. Ó como é gravoso, para nós miseráveis, a ti imaculado e inocente Rei dos Anjos imitar. Confiamos em ti, todavia, pois é teu desejo a pedra preciosa permanecer sem putrefação. Invocamos-te agora, Esposo e consolador, que nos redimiste na cruz. Por teu sangue comprometidas somos para ti esposas repudiando homem para te preferir a ti Filho de Deus. Ó belíssima forma, ó suavíssimo perfume de desejáveis delícias, sempre por ti suspiramos no exílio das lágrimas, na esperança de contemplar-te e contigo permanecer. Nós estamos no mundo e tu em nossa mente, abraçamos-te no profundo coração quase como se foras presente. Tu, fortíssimo leão, rompeste o céu para descer ao útero duma Virgem e destruíste a morte para elevar a vida à cidade de ouro. Concede-nos habitar dentro de seus muros e permanecer contigo, dileto Esposo, pois nos livrastes das fauces do Diabo, que seduziu nossos primeiros pais.”

(SYMPHONIA VIRGINUM, de Santa Hildegard von Bingen, Doutora da Igreja).

Fonte: O Camponês