sábado, 30 de julho de 2011

Verdade, Humildade e Conhecimento Próprio


Sta Teresa D'Avila


Também acontece, assim muito de repente e de maneira que nem se sabe dizer, mostrar Deus em Si mesmo uma verdade que parece deixa obscurecidas todas as que há nas cruaturas, e muito claramente dá a entender que só Ele é a verdade que não pode mentir; e dá-se bem a entender o que diz David em um salmo, que todo o homem é mentiroso; coisa que nunca jamais se entenderia assim, ainda que se ouvisse muitas vezes, e é verdade que não pode falhar. Lembro-me de Pilatos, o muito que perguntava a Nosso Senhor, quando em Sua Paixão Lhe disse: "O que é a verdade?", e de quão pouco aqui entendemos desta suma Verdade.

Eu quisera poder dar-me melhor a entender neste caso, mas não se pode dizer. Tiremos daqui, irmãs, que para nos conformarmos com o nosso Deus e Esposo em alguma coisa, será bem que procuremos muito andar sempre nesta verdade. Não digo só que não digamos mentiras, pois nisso, glória a Deus, já vejo que tendes em grande conta nestas casas de não a dizer por coisa nenhuma, mas que andemos em verdade diante de Deus e das gentes, de quantas maneiras pudermos; em especial, não querendo que nos tenham por melhores do que somos e, em nossas obras, dando a Deus o que é Seu e a nós o que é nosso, e procurando em tudo a verdade, e assim termos em pouco este mundo que é todo mentira e falsidade e, como tal, não é perdurável.

Uma vez estava eu considerando por que razão era Nosso Senhor tão amigo desta virtude da humildade, e logo se me pôs diante - a meu parecer sem eu considerar nisso, mas de repente - isto: é porque Deus é a suma Verdade, e a humildade é andar na verdade. E é muito grande verdade não termos coisa boa de nós mesmos, senão a miséria e sermos nada; e, quem isto não entende, anda em mentira. Quem melhor o entende, mais agrada à suma Verdade, porque anda nela. Praza a Deus, irmãs, nos faça mercê de não sairmos nunca deste próprio conhecimento, amen.

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

A bondade divina e a maldade humana - uso de uma comparação



Sta Teresa D'Avila

Há um tipo de visão intelectual "na qual se lhe descobre [à alma] como em Deus se vêem todas as coisas, e Ele as tem todas em Si mesmo. E é de grande proveito, porque, ainda que passa num momento, fica muito gravada, e causa grandíssima confusão; vê-se mais claramente a maldade de quando oferecemos a Deus, porque no mesmo Deus - digo, estando dentro d'Ele - fazemos grandes maldades. Quero fazer uma comparação, se acertar, para vo-lo dar a entender, porque, embora isto seja assim e o ouçamos muitas vezes, ou não reparamos nisso, ou não o queremos entender, pois não parece que seria possível sermos tão atrevidos, se se entendesse tal como é.

Façamos agora de conta que Deus é como uma morada ou palácio muito grande e formoso, e que este palácio, como digo, é o mesmo Deus. Pode porventura o pecador, para fazer suas maldades, apartar-se deste palácio? Não, por certo; senão que, dentro do mesmo palácio, que é o mesmo Deus, passam-se as abominações e desonestidades e maldades que fazemos nós os pecadores. Oh! coisa temerosa e digna de grande consideração e muito proveitosa para os que sabemos pouco que não acabamos de entender estas verdades e não seria possível ter atrevimento tão desatinado! Consideremos, irmãs, a grande misericórdia e sofrimento de Deus em não nos aniquilar ali imediatamente; e demos-Lhe muitas graças, e tenhamos vergonha de nos sentirmos por cousa que se faça ou diga contra nós; que a maior maldade do mundo é ver que Deus Nosso Criador sofre tamanhas dentro de Si, mesmo às Suas criaturas, e que nós sintamos alguma vez uma única palavra que se deiga em nossa ausência, e talvez sem má intenção.

Oh! miséria humana! Quando, mas quando, filhas, imitaremos em alguma coisa este grande Deus? Oh! e não se nos vá afigurar que já fazemos algo em sofrer injúrias! Mas passemos, de muito boa vontade, por tudo  amemos a quem no-las faz, pois este grande Deus não deixou de nos amar a nós, ainda que O tenhamos ofendido muito, e assim Ele tem razão de sobejo em querer que todos perdoem, por mais agravos que lhes façam.

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

Cinco razões pelas quais não se devem pedir sinais sobrenaturais na oração



Sta Teresa D'Avila, Doutora da Igreja, Mestra de Oração


A primeira, porque é falta de humildade querer que se vos dê o que nunca haveis merecido, e assim creio que não terá muita quem o desejar; porque, assim como um pequeno lavrador está longe de desejar ser rei, parecendo-lhe impossível, porque não o merece, assim também o está o humilde de coisas semelhantes; e creio eu que estas coisas nunca se darão, porque, primeiro que faça estas mercês, dá o Senhor um grande conhecimento próprio. Pois, como entenderá, com verdade, que se lhe faz uma muito grande mercê em não estar já no inferno, quem tem tais pensamentos?

A segunda, porque é muito certo ser enganado, ou estar muito em perigo de o ser; porque o demônio não precisa mais do que ver uma pequena porta aberta para fazer mil trapalhices.

A terceira; que é a mesma imaginação, quando há um grande desejo, faz entender à própria pessoa que ela vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que andam com vontade de uma coisa durante o dia e pensando muito nela, lhes acontece virem a sonhar com ela de noite.

A quarta, é muito grande atrevimento querer eu escolher caminho, não sabendo qual o melhor, mas sim deixar ao Senhor, que me conhece, que me leve por aquele que me convém, para que em tudo faça a Sua vontade.

A quinta, pensais que são poucos os trabalhos que parecem aqueles a quem o Senhor faz estas mercês? Não, são grandíssimos e de muitas maneiras. E sabeis vós se seríeis pessoas para os sofrer? A sexta, porque talvez por aí mesmo por onde pensais ganhar, perdereis, como Saul, por ser rei.

Enfim, irmãs, além destas há outras; e crede-me que, o mais seguro, é não querer senão o que Deus quer, pois nos conhece e ama mais do que nós mesmos. Ponhamo-nos em Suas mãos, para que seja feita a Sua vontade em nós; e não poderemos errar se, com determinada vontade, nos ficamos sempre nisto.

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Escuridão me Basta - Thomas Merton

Eu creio já ter posto este video por aqui, mas ponho-o de novo. Nele, o Monge Trapista Pe. Luis (Thomas Merton) nos brinda com um belo poema de matiz sanjuanista.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"O tolo" e Deus


“Jamais ocorreu a nenhum escritor do Velho Testamento provar ou argumentar a favor da existência de Deus”, diz o Dr. James Hastings em A Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia). “Não é da índole do mundo antigo em geral negar a existência de Deus ou usar argumentos para provar sua existência. A crença em Deus era natural para a mente humana e comum a todos os homens.” Isso não significa, naturalmente, que todos os homens da época temiam a Deus. Longe disso. Tanto o Salmo 14,1 como o 53,1 mencionam “o insensato”, ou, conforme a A Bíblia na Linguagem de Hoje, ‘o tolo’, que diz no seu coração: “Não há Deus.”

Que tipo de pessoa é esse tolo, o homem que nega a existência de Deus? Ele não é ignorante em sentido intelectual. Antes, a palavra hebraica na‧vál indica deficiência moral. O professor S. R. Driver, em suas notas no The Parallel Psalter (O Saltério Paralelo), diz que a falha não está na “fraqueza de raciocínio, mas na insensibilidade moral e religiosa, na completa ausência de sensatez ou percepção”.O salmista passa a descrever a decadência moral resultante de tal atitude: “Agiram ruinosamente, agiram de modo detestável na sua ação. Não há quem faça o bem.” (Salmo 14,1) O Dr. Hastings resume isso da seguinte forma: “Confiando nesta ausência de Deus do mundo e na impunidade, os homens se tornam corruptos e fazem coisas abomináveis.” Eles abraçam abertamente princípios contrários às leis divinas e desconsideram a pessoa de Deus, a quem não têm desejo nenhum de prestar contas. Mas tal modo de pensar é tão tolo e insensato hoje como era quando o salmista escreveu essas palavras há mais de 3.000 anos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Buscando meu Amor, meu Amado...


"Buscando meu Amor, meu Amado,
vou por montes e vales sem temer mil perigos.
Nem flores colherei no caminho,
pois segui-Lo é preciso sem deter-me ou parar."

S. João da Cruz