"Uma praça na cidade de Preston, Inglaterra; um país dos menos católicos do mundo ocidental; um continente que, embora tenha sido concebido e viabilizado pela Igreja, se descristianiza (e se islamiza) a grande velocidade. O Santíssimo é erguido por um Capuchinho Fransciscano da Consolação e o que se segue é momentoso. Assistam o vídeo, com legendas em português"
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Poesia que provocou um êxtase em S. João da Cruz
"Quem nunca provou de amarguras
No humano vale da dor
Nada sabe de doçuras
Desconhece o que é o amor.
Amarguras são o manto
Dos que amam com ardor"
Estrofe cantada por uma religiosa.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Sobre verdades e amores
![]() |
| Isto não foi fantasia e não pode ser banalizado sem que se caia numa terrível ofensa... Ofender a quem eu amo é ofender a mim. Se com os amigos e a família é assim, quanto mais com Ele... |
Nós sempre agiremos conforme a nossa compreensão das coisas. Uma coisa é o entender - próprio do intelecto. Outra coisa é o agir - próprio da vontade. Esta é posterior ao intelecto. Este ilumina a vontade. O intelecto entende. A vontade quer e ama. Amamos aquilo que entendemos ser um bem. O nosso entendimento estará correto se aquilo que consideramos bem for, de fato, bem. Isto pressupõe a existência objetiva do bem.
Mais uma vez, bem e verdade se relacionam. No entanto, como pretender defender uma moral objetiva se o total nos escapa? Há dois pontos: De fato, nós não conhecemos o todo, mas isto não implica em relativizar o conhecimento da parte que temos. Eu não conheço todos os materiais existentes no universo, mas isto não me impossibilita de dizer, com absoluta certeza, que a mesa da minha casa é de madeira.
Em segundo lugar, a aparente petulância da religião em se pretender a defensora e representante de uma moral absoluta se justifica perfeitamente a partir do momento que consideramos a real possibilidade de um Deus feito homem que, como tal, nos ensinou o que é ser bom e prometeu seguir formando isto que Ele chamou de Sua Igreja. É justo que Deus conheça a verdade última das coisas, sobretudo se Ele disse de Si mesmo: "Eu sou a Verdade". O que este Deus disser, se Ele é Deus, será absolutamente verdadeiro, simplesmente porque tudo quanto há teve sua origem n'Ele.
A pretensão está, ao contrário, no fato de que, ainda considerando a realidade desta presença no mundo, o homem, limitado, se opõe ao que este Deus diz, negando-se a observar a perfeita razoabilidade de tudo quanto Ele mostrou. Se O entendêssemos, agiríamos segundo o Seu coração. Propriamente isto é a santidade. Não à toa se diz de Cristo que Ele é a Verdade (objeto do intelecto) e o Amor (objeto da vontade). Estes dois - Intelecto e Vontade - são as potências da alma humana e o que precisamente fazem do homem imagem e semelhança de Deus. Isto significa que é o homem inteiro que deve aderir a Deus.
Tocamos no ponto do amor. Convém, então, sabermos o que isto significa. Todas as virtudes geralmente são imitadas por um vício que tenta se passar por elas, assim como o demônio vive querendo macaquear Deus. Assim, a humildade pode ser confundida com um orgulho disfarçado ou com a pusilanimidade, que é um tipo de fraqueza; a estudiosidade pode ser imitada pela curiosidade, etc. Também o amor tem a sua bijouteria: em geral, quem tenta se passar por ele é o respeito humano, mas há também outros concorrentes, como a afetação, a impureza, etc.
O amor legítimo é sempre doação. É um sair de si em busca de um bem para o outro. Só que este bem não é uma idéia subjetiva, mas um bem real. Acontece que, por vezes, este bem é imediatamente desconfortável. A gente vê isso quando uma mãe leva um filho para tomar uma injeção. Aquilo dói e aos olhos do infante parece uma crueldade. Porém o amor da mãe não lhe permite falsear o bem, e isto é a característica do amor legítimo. Ele se expõe, faz pouco da sua imagem, corre o risco de não ser compreendido e de ser chutado, desde que um bem real se dê no outro. Aqueles que, ao contrário, têm como fim de tudo o que fazem apenas agradar a sensibilidade da outra parte, não amam porque não estão comprometidos com um bem real, mas só com um prazer superficial e egóico e com a preservação da própria imagem. Se uma pessoa comete um erro e um suposto amigo lhe elogia por isso, este não lhe fará nenhum bem. Isto se chama respeito humano. É como quando alguém está tendo uma crise de abstinência por causa de uma droga e outra pessoa, com o pretexto de que o ama, lhe traz o que ele tanto desejava. Isto não é amizade, não é amor.
O amor não falseia, porque ele não existe na mentira. O amor só pode se desenvolver e respirar na verdade. É por isto que, por vezes, ele parece ser rude e grave. O amor preocupa-se, o amor denuncia. Já dizia S. Paulo: "rejubila-se com a verdade e sofre com a mentira", ainda que a verdade seja, a princípio, uma espécie de cruz. Mas como já dizia Nosso Senhor, é pela morte da semente que temos o milagre do fruto. É quando a dor eficaz da Cruz é assumida que a vida absolutamente maior da Ressurreição é concedida.
Nunca me tenham por mal. Eu ajo segundo entendo, como qualquer um, mas busco que estes atos tenham por base o amor. Eu amo, ainda que não costume ficar dizendo isso, e entendo que amar é querer o bem, e entendo que não há bem sem Deus. Eu trocaria de bom grado todo e qualquer suposto mérito que eu possa ter acumulado nas minhas orações com relação a uma pessoa, se eu visse efetivada a conversão desta vida. Amar é querer Deus para o outro. E isso eu quero. E não seria cristão se não quisesse.
"Todo aquele que vem a mim, eu o levarei a Ele..." Sta Edith Stein.
"O amor quando já crescido não pode ocioso ficar, nem o forte sem lutar por amor de seu querido" Sto André
terça-feira, 5 de julho de 2011
Sobre o problema da moral
Esta é uma questão inerente ao ser humano e que permeia toda a sua vida. Ela surge com particular clareza a partir do momento em que o homem é estudado como essência. Se, no entanto, perde-se isto de vista e adere-se à perspectiva histórica, como fez Freud, é claro que o método consistirá numa hermenêutica fenomênica, isto é, numa observação do que se constata pela experiência mais superficial, caindo num determinismo nada interessante.
O problema da moral, no entanto, é muito mais profundo. Na verdade, a sua existência está necessariamente ligada à existência de Deus, pois Ele é, como dizia Descartes, a garantia de que o mundo é racional e, portanto, de que os valores são objetivos. Se tiramos Deus da conversa, temos, já, um primeiro problema: faremos a racionalidade descender da irracionalidade, o que é uma aporia. Depois, não havendo um princípio metafísico do bem, este seria visto apenas como um cálculo para fins utilitaristas. Uma pessoa seria "boa" porque isto lhe permite receber uma retribuição da bondade. Este tipo de moral é um canto ao egoísmo.
Para que a moral exista, é necessário que o homem seja livre e, portanto, tenha certa independência do corpo, isto é, tenha uma alma imaterial. A existência objetiva de uma moral leva tão irrefutavelmente à constatação da espiritualidade da alma e, portanto, da existência de Deus, que Kant os admite justamente a partir deste imperativo que ele reconhece em todo homem. Se o ser humano se reduzisse à materialidade, as suas ações seriam necessariamente dependentes dos processos químico-físicos que nele acontecem e, portanto, teríamos anulado a possibilidade de qualquer moral. Um criminoso não seria culpado, nem um inocente mereceria qualquer mérito. Só é possível ser bom se se é livre e só se é livre se há espiritualidade.
Aí alguém olha para o mundo e afirma que há, ao contrário do que estamos defendendo, diversos tipos de moral, como dizia Nietzsche, e que isto demonstra que o bem, na verdade, é relativo; seria algo puramente subjetivo. No entanto, peca-se, nesta interpretação, justamente por ater-se ao nível fenomênico. É interessante notar que somente as manifestações do bem é que são diferentes. No conceito, em geral, há consenso. Há pormenores, claro, que divergem, mas isto se deve ao fato de que também a moral é um campo que pode ser mais ou menos aprofundado.
No entanto, todos os seres humanos estamos imersos dentro de uma moralidade objetiva. E todos temos dentro da alma algo que busca o bem. O nosso conhecimento do bem pode ser variado, mas a existência do bem é uma só. Estamos certos quando a nossa noção de bem corresponde àquilo que o bem é. Portanto, a idéia de bem está intimamente ligada com a idéia de verdade. Quando, ao contrário, nos equivocamos na nossa idéia de bem, terminamos por fazer algum mal, e todos que fazem o mal, em geral somente o fazem porque buscam, nele, uma aparência de bem.
A pessoa que bebe, por exemplo, busca nisso um bem: seja o prazer, seja o esquecimento dos problemas, seja a aquisição de coragem pra algo. Até mesmo a pessoa que se suicida visa, com isto, algum suposto bem: o fim dos seus tormentos. Mesmo aquelas pessoas que criticam toda teoria moral, se o fazem, é porque consideram que, ao fazê-lo, estão fazendo um bem, isto é, estão provocando naqueles que os lêem ou escutam um contato com uma "verdade mais verdadeira": "se não há moral objetiva, é melhor que os outros saibam". Neste "é melhor" está contida a idéia do "mais bom", como um adensamento de bem.
Simplesmente não se pode fugir da moral, porque ela é intrínseca à natureza humana.
Com base nisto, é com contragosto que lemos coisas assim, o que me inspirou também o texto anterior:
"Percebo que existem pessoas que, ao falarem em nome de sua fé, seja ela qual for, acreditam ter o patrimônio do bem, da ética e da verdade. Às vezes, até do “amor”. Como alguém já disse, muita gente tortura os números para que eles digam aquilo que pode comprovar a sua tese. Lendo, escutando e assistindo à fala de alguns religiosos, tenho a impressão de que torturam a Bíblia para que possam seguir com a propriedade de uma verdade única – a sua. O caminho da sabedoria, porém, inclusive para os grandes teólogos da Igreja Católica, passou e passa pelo exercício da dúvida, constante e tenaz. É preciso se despir da vaidade das certezas para alcançar a dor do outro – movimento imprescindível para o amor."
(Disponível no Blog de Dom Luiz Bergonzini, escrito pela jornalista Eliane Brum)
Se transpassarmos a camada sofista que apela aos termos de efeito, veremos os problemas.
Ignorância como máscara e desculpa
Uma das maiores hipocrisias que já vi consiste em utilizar a própria ignorância e indiferença como sinal de sinceridade e justeza de caráter. Mas é justamente o contrário. Há sujeitos que denunciam a "vaidade de ter certezas", a inadimissível pretensão de defender uma moral absoluta e que, não obstante, sob as aparências de tolerância e humildade, tentam dar a impressão de serem mais esclarecidos, no fundo. Vê-se isso quando estes sujeitos demonstram crer absolutamente nas próprias interpretações a respeito dos homens e do mundo.
Este tipo de filosofia de meia tigela geralmente surge depois de um processo meio demorado de mediocridade moral e do que alguns filósofos chamam "escotoma" que consiste num orgulho pessoal que prefere não aderir a nada, ainda que algo seja totalmente digno de crédito, a fim de satisfazer o próprio orgulho que certamente sofreria se se admitisse que a razão está do outro lado.
Coisa mais nauseante é ver os lamentos desses uns, e notar o prazer que sentem por baixo das próprias exteriorizações de aparente pesar, rs. Se se queixam de não saber, poderiam se convencer a estudar seriamente o objeto de sua ignorância ao invés de desacreditar gratuita e desonestamente, atitude que serve somente de estratégia para manutenção do próprio orgulho e como pretexto para continuar com a indiferença nada corajosa.
"Imparcialidade é um nome pomposo para indiferença, que é um nome elegante para ignorância" Chesterton.
"Ai daqueles que às trevas chamam luz, e à luz, chamam trevas". (Is 5,20)
domingo, 3 de julho de 2011
Sta Teresa trata sobre os motivos pelos quais não devemos pedir gostos sobrenaturais na oração
Primeiro, porque a primeira coisa, que para isto é mister, é amar a Deus sem interesse.
Segundo, porque não deixa de ser um pouco falta de humildade pensar que, por nossos serviços miseráveis, se há-de alcançar coisa tão grande.
Terceiro, porque a verdadeira preparação para isto é o desenho de padecer e de imitar ao Senhor e não o ter gostos, nós que, enfim, O temos ofendido.
Quarto, porque Sua Majestade não está obrigado a dar-nos gostos, como o está a dar-nos a Glória se guardarmos os Seus mandamentos, pois, sem isto [os gostos], nos poderemos salvar, e Ele sabe melhor que nós o que nos convém e quem O ama de verdade. Assim é coisa certa, eu sei-o, e conheço pessoas que vão, pelo caminho do amor como se deve ir, só para servir a seu Cristo crucificado, que não só não Lhe pedem gostos nem os desejam, mas Lhe suplicam que não olhos dê nesta vida. Isto é verdade.
A quinta, porque trabalharemos debalde, pois, como não se há-de trazer está água por aquedutos, se o manancial não a quer produzir, pouco aproveita que nos cansemos. Quero dizer que, por mais meditação que tenhamos e por mais que nos apoquentemos e tenhamos lágrimas, não é por aqui que esta água vem. Só a quem Deus quer e, muitas vezes, quando mais descuidada está a alma.
Suas somos, irmãs; faça de nós o que quiser, leve-nos por onde for servido. Creio bem que, a quem de verdade se humilhar e desapegar (digo de verdade, porque não o há-de ser só em nosso pensamento, que muitas vezes nos engana, senão que estejamos desapegadas de todo), não deixará o Senhor de nos fazer esta mercê, e outras muitas que não saberemos desejar. Seja Ele para sempre bendito. Amen.
Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior.
sábado, 2 de julho de 2011
Em que consiste o amor
"Só quero que estejais advertidas que, para aproveitar muito neste caminho..., não está a coisa em pensar muito, senão em amar muito; e assim, o que mais vos despertar ao amor, isso deveis fazer. Talvez não saibamos o que é amar, e não me espantarei muito; porque não está no maior gosto, mas sim na maior determinação de desejar contentar a Deus em tudo e procurar, tanto quanto pudermos não O ofender, e rogarl-Lhe que vá sempre por diante a honra e glória de Seu Filho e o aumento da Igreja Católica. Estes são os sinais do amor."
Sta Teresa D'Avila
Assinar:
Postagens (Atom)




