sábado, 19 de maio de 2012

Sinceridade é uma questão de amor e de medo


Todo o problema da sinceridade é, pois, fundamentalmente, uma questão de amor e de medo. O homem egoísta e mesquinho, que ama pouco, e teme muito não ser amado, não pode ser profundamente sincero, embora aparente, às vezes, um caráter superficialmente franco. Em seu íntimo, ele será sempre envolto em falsidade. Mesmo nas suas melhores e mais sérias intenções, não deixará de enganar-se a si mesmo. Nada do que ele diz ou sente sobre o amor, humano ou divino, pode merecer crédito, até que o seu amor seja ao menos purificado dos temores mais baixos e mais irrazoáveis.

Mas o homem que não tem medo de admitir quanto vê de mau em si mesmo e, ainda, se reconhece como um possível objeto do amor divino, justamente em razão das suas deficiências, esse pode começar a ser sincero. A sua sinceridade funda-se na certeza que ele põe não em ilusões sobre si mesmo, mas na infinita e infalível bondade de Deus.

Thomas Merton, Homem Algum é Uma Ilha.

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